Carlos José Lopes, advogado de um dos arguidos, diz que esta sessão de julgamento decorreu “dentro daquilo que esperava”, lembrando que o seu constituinte “tinha confessado logo os factos” no primeiro interrogatório judicial. “Basicamente, agora voltou a fazer exatamente o mesmo”, ou seja, demonstrou “colaboração perante o tribunal”.
Considerando que “é evidente” que este arguido “vai ser condenado”, o advogado explicou que a estratégia da defesa passou por “tentar reduzir ao máximo a pena” de prisão a aplicar pelo coletivo de juízes.
“Ele também disse que estava arrependido e tem tido um comportamento exemplar no estabelecimento prisional onde se encontra”, acrescenta o advogado, esperando que esta atitude por parte do arguido possa contribuir para uma redução da pena.
Os dois homens, de 43 e 44 anos, estão acusados da prática de roubos a bancos, com recurso a réplicas de armas de fogo e mantendo os clientes sob sequestro, o que lhes permitiu apropriarem-se de mais de meio milhão de euros.
De acordo com a acusação, o arguido mais velho, reincidente, está acusado de cinco crimes de roubo, nove de sequestro, 32 de falsificação de documento, além de uma contraordenação por detenção ilegal de arma.
Já em coautoria, os dois arguidos, ambos de nacionalidade brasileira e em prisão preventiva desde que foram detidos em abril de 2025, estão acusados de dois crimes de roubo, um de sequestro e outro de branqueamento de capitais, pode ainda ler-se.
Segundo o MP, entre julho de 2023 e setembro de 2024, o arguido mais velho é suspeito de ter assaltado dependências bancárias em Vendas Novas e Alcáçovas, onde também terá presumivelmente roubado uma cliente que ia depositar dinheiro, e em Águas de Moura.
No Brasil, este homem terá proposto colaboração ao outro arguido e, juntos, utilizando os mesmos métodos, terão assaltado agências bancárias em Castro Verde, Estoi e Lourinhã.
O despacho de acusação detalha os valores roubados em cada um dos seus assaltos, nas caixas, no cofre principal, nas gavetas cacifos das máquinas multibanco e a uma cliente, cujo total ascende a cerca de 548 mil euros.
De acordo com o MP, os arguidos enviavam o dinheiro obtido nos roubos para o Brasil, através de agências de câmbio e transferência, utilizando, em alguns casos, pessoas que conheciam e outras que encontravam na rua, a troco de 50 euros.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












