A audição foi convocada pelo presidente da Assembleia Municipal, Jorge Araújo, depois de confrontado com os comunicados da plataforma cívica Juntos Pelo Divor — Paisagem e Património (JPD) e do Grupo Pro-Évora (GPE), que alertaram para os riscos que os projetos representam para a manutenção da classificação Unesco.
Foram convidadas a participar a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a Comissão Nacional da Unesco, as empresas Hyperion Renewables e Newcon 40 e a própria plataforma JPD.
Conforme noticiado pela Alentejo Ilustrado alerta foi lançado em março pelo movimento cívico, segundo o qual a implantação das três mega centrais numa área de 1700 hectares contíguos a norte de Évora «destruirá de modo irreversível a paisagem rural praticamente inalterada da zona» — precisamente um dos elementos do requisito de Integridade exigido pela Unesco para a manutenção da classificação.
«O corredor técnico-industrial, de mais de 1700 hectares contíguos, que resultaria da implantação de três mega centrais fotovoltaicas com mais de 1,5 milhões de painéis no arco norte-nordeste do concelho de Évora, pode ser considerado uma alteração estrutural significativa da paisagem histórica envolvente do Centro Histórico de Évora», defende o Juntos pelo Divor, acrescentando que «este facto pode configurar um risco patrimonial e exigir a adoção de medidas corretivas ou restritivas aos projetos».
A plataforma sublinha que «a realização de Évora Capital Europeia da Cultura 2027 também será afetada por esta descaracterização irreversível da paisagem cultural, se o bom senso não imperar» e defende a realização de uma «Avaliação do Impacte Patrimonial, exigida a bem de uma região inteira, que tem na sua paisagem, única, e no seu património, valiosíssimo, duas das suas maiores fontes de riqueza».
O movimento afirma ainda reconhecer «a importância das energias renováveis enquanto parte integrante do programa nacional de adaptação às alterações climáticas», defendendo, porém, que a sua implantação deve respeitar «a identidade das regiões, pela biodiversidade, pela paisagem, pelo património, pela qualidade de vida das pessoas».









