Évora: Assembleia Municipal promove audição pública sobre mega centrais

A Assembleia Municipal de Évora realiza no próximo dia 12 de junho, pelas 18h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, uma audição pública sobre os riscos que três projetos de mega centrais fotovoltaicas a norte da cidade colocam à classificação do Centro Histórico de Évora como Património Mundial da Unesco.

A audição foi convocada pelo presidente da Assembleia Municipal, Jorge Araújo, depois de confrontado com os comunicados da plataforma cívica Juntos Pelo Divor — Paisagem e Património (JPD) e do Grupo Pro-Évora (GPE), que alertaram para os riscos que os projetos representam para a manutenção da classificação Unesco.

Foram convidadas a participar a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a Comissão Nacional da Unesco, as empresas Hyperion Renewables e Newcon 40 e a própria plataforma JPD.

Conforme noticiado pela Alentejo Ilustrado alerta foi lançado em março pelo movimento cívico, segundo o qual a implantação das três mega centrais numa área de 1700 hectares contíguos a norte de Évora «destruirá de modo irreversível a paisagem rural praticamente inalterada da zona» — precisamente um dos elementos do requisito de Integridade exigido pela Unesco para a manutenção da classificação.

«O corredor técnico-industrial, de mais de 1700 hectares contíguos, que resultaria da implantação de três mega centrais fotovoltaicas com mais de 1,5 milhões de painéis no arco norte-nordeste do concelho de Évora, pode ser considerado uma alteração estrutural significativa da paisagem histórica envolvente do Centro Histórico de Évora», defende o Juntos pelo Divor, acrescentando que «este facto pode configurar um risco patrimonial e exigir a adoção de medidas corretivas ou restritivas aos projetos».

A plataforma sublinha que «a realização de Évora Capital Europeia da Cultura 2027 também será afetada por esta descaracterização irreversível da paisagem cultural, se o bom senso não imperar» e defende a realização de uma «Avaliação do Impacte Patrimonial, exigida a bem de uma região inteira, que tem na sua paisagem, única, e no seu património, valiosíssimo, duas das suas maiores fontes de riqueza».

O movimento afirma ainda reconhecer «a importância das energias renováveis enquanto parte integrante do programa nacional de adaptação às alterações climáticas», defendendo, porém, que a sua implantação deve respeitar «a identidade das regiões, pela biodiversidade, pela paisagem, pelo património, pela qualidade de vida das pessoas».

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