A partir de Évora, uma empresa tecnológica com origem na Holanda está a desenvolver soluções de estacionamento e mobilidade urbana com aplicação internacional. Considerada um dos principais fornecedores de sistemas de estacionamento inteligentes na Europa e na América do Norte, a IP Parking criou um polo no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), a funcionar desde 2023, onde desenvolve tecnologia para melhorar a mobilidade urbana.
A atividade da empresa abrange toda a cadeia do setor, desde o equipamento físico até às plataformas digitais. «Fazemos tudo o que diz respeito ao estacionamento, desde construir as cancelas ao hardware e, depois, ao software para fazer a gestão de parques, do ponto de vista do operador, e também o software do ponto de vista do utilizador final», detalha Wilson Edgar, cidadão canadiano que vive há 26 anos em Portugal e responsável pela «operação» da empresa no Alentejo.
Uma das referências do modelo desenvolvido pela empresa encontra-se na Holanda, onde o estacionamento é gerido como instrumento de regulação urbana. «O estacionamento é um problema mundial, principalmente nos grandes centros urbanos. Simplesmente não há espaço para tantos carros», sublinha Wilson Edgar, explicando que existem sistemas de limitação de circulação. «Conforme as matrículas, as pessoas têm dias da semana definidos em que podem levar o carro», refere. Quem cumpre paga a tarifa normal, enquanto o incumprimento implica penalizações: «Em vez de ser um euro, passa a ser dois euros».
Há ainda mecanismos de incentivo. «Se a pessoa não levar o carro no dia em que o pode fazer, recebe um bónus», refere, explicando que esses benefícios podem traduzir-se em pontos utilizáveis em estacionamento ou transportes públicos. «Não é dinheiro físico, mas são pontos bónus que as pessoas recebem por não levar o carro, descongestionando a cidade».
Outro conceito aplicado é o chamado último percurso. «Aplica-se a pessoas que levam o carro no dia em que o podem fazer, mas em vez de estacionarem dentro do centro urbano, fazem-no um pouco mais longe e depois apanham o transporte público para efetuar o resto do caminho. Essas pessoas também recebem um bónus», afirma.
Entre os clientes da IP Parking encontram-se municípios, hotéis, aeroportos (como os de Sacramento ou de Charleston) e até mesmo casinos, como sucede nos Estados Unidos. «São clientes que têm cinco mil lugares de estacionamento e querem fazer a gestão desses parques todos», diz Wilson Edgar, sublinhando que a empresa «fornece o hardware e o software que ajuda a fazer a gestão de todo o parque de estacionamento: as pessoas que entram, as que saem, os clientes com estatuto diferenciado ou as tarifas. Temos estado a crescer desde 2022 e tem sido um sucesso», afirma.
De acordo com o responsável, a escolha de Évora surgiu através de um contacto local. «Chegámos a Évora através de um dos consultores da empresa que vive aqui no Alentejo. Houve uma proposta para criar um polo, para fazer contratações e desenvolver o projeto a nível tecnológico. Foi um desafio que aceitei e arrancou».
Embora não estejam previstos, para já, projetos específicos para o território — «o único objetivo é que a empresa cresça, estamos a trazer emprego para a região» —, a «operação» em Évora conta com uma equipa de cinco pessoas, que este ano poderá subir para nove, além de receber jovens estudantes da Universidade de Évora em estágios curriculares ou profissionais. Ainda assim, sublinha Wilson Edgar, «o recrutamento nunca é fácil, principalmente quando procuramos pessoas com experiência fora dos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto».
Nos sistemas integrados de gestão de estacionamento que combinam hardware e software, incluindo reconhecimento automático de matrículas, pagamento digital, reservas ou subscrições, as soluções desenvolvidas pela IP Parrking permitem, por exemplo, controlar acessos, otimizar a ocupação e integrar serviços como carregamento elétrico e plataformas móveis, «tornando a gestão mais eficiente e conectada».












