Évora_27 corta para metade o financiamento a artistas e associações locais

Dos dois milhões de euros inscritos na candidatura como financiamento a projetos de agentes culturais da região, Évora_27 abriu concurso com metade desse valor. Um choque com a “realidade orçamental”, justifica o diretor artístico.

“A Nossa Vez” é a designação do concurso lançado pela Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27 e dirigido a artistas, associações e agentes culturais do Alentejo, com um financiamento de um milhão de euros.

A open call (chamada ou concurso aberto, em português) foi ontem apresentada a agentes culturais da região. Agentes que à sua espera tinham uma surpresa: dos dois milhões de euros inscritos na candidatura como sendo destinados os artistas locais, apenas metade está em concurso.

Um corte notado na sala onde decorreu a apresentação do concurso, e que levou o diretor artístico da iniciativa, John Romão, a justificar-se: “Como é público, Évora_27 não reúne o montante financeiro que estava idealizado e plasmado no bid book [livro de candidatura]”.

A diferença deve-se “à realidade orçamental”, mas “continuamos muito ativos nessa angariação desses financiamentos, através de candidaturas que temos estado a desenhar”, afirmou John Romão, garantindo que a associação está “a trabalhar para reforçar” este milhão de euros, que é agora “o orçamento possível e que dá resposta o mais rapidamente” ao concurso que irá apoiar um total de 39 projetos com montantes que variam entre os 10 e os 50 mil euros.

Os resultados da apreciação do júri serão divulgados em março, para que os escolhidos, se o pretenderem, possam desenvolver já alguns processos criativos a partir de abril, enquanto a programação dos projetos vai ser feita entre 06 de fevereiro de 2027 e o final desse ano.

A iniciativa destina-se “aos artistas, coletivos, estruturas, organizações culturais do Alentejo”, disse John Romão, indicando que podem ser propostos projetos das mais variadas modalidades artísticas e cruzamentos artísticos, englobando também parcerias regionais, nacionais ou internacionais.

O objetivo é “reforçar a programação de Évora_27”, disse, realçando que a organização da CEC está “à procura de projetos que vão ser centrais na programação, em paralelo [com os] projetos que já estavam previstos no livro de candidatura”, ou seja, no bidbook apresentado e que garantiu a vitória de Évora.

“Agora, estamos a consolidar a programação através destas diferentes chamadas abertas”, notou o diretor artístico da Associação Évora 2027, lembrando que também já foi lançado, no final de setembro, o concurso “A Nossa Voz”, dirigido à comunidade escolar do Alentejo Central.

Neste novo concurso, segundo John Romão, a intenção é dar visibilidade ao Alentejo, especificamente “às práticas culturais e artísticas” da região, mas abertas à colaboração com outras realidades e entidades de fora ou representativas de diferentes escalas.

“Queremos estimular, precisamente, essa dimensão mais dialogante entre diferentes artistas e associações, mas o eixo central será sempre o conceito de Vagar”, que é a “bússola” de toda a programação e processo de construção Évora_27, concluiu.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: CEC/Arquivo/D.R.

Uma resposta

  1. A redução de 1 milhão deveria ser bem explicada pela organização com dados concretos. Assim mais parece uma falta de vontade em apoiar os artistas e associações
    locais.

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