“Com ‘conversas da treta’ estamos a transformar em ‘bandalheira’ a mais nobre eleição em Portugal. É muito triste este afrontar das instituições”, sustenta Henrique de Freitas numa carta enviada ao presidente da Mesa Nacional do Chega, João Lopes Aleixo, que lhe sucedeu enquanto deputado por Portalegre.
Na missiva, o ex-secretário de Estado do Governo PSD-CDS de Durão Barroso, que aderiu ao Chega em 2024, considera que “Belém Primeiro” deveria ser o lema da candidatura de André Ventura “para que se afastasse a ideia já estabelecida de um ‘São Bento depois'”, numa alusão implícita.
“Não, não aderi ao Chega para ver espezinhada a dignidade da função presidencial”, escreve o antigo deputado do PSD e do Chega, pedindo a desfiliação do partido, de que é o militante 53209.
Henrique de Freitas afirma ter aderido ao Chega “para defender novas ideias que enfrentassem novos problemas”, apontando os casos da “globalização desenfreada, a imigração excessiva, a proletarização das classes sociais, o pensamento único das elites mediáticas, o desmoronamento da autoridade e da disciplina, o ataque ‘woquista’ à Escola e à Defesa nacional, a insegurança crescente e a demissão do Estado em vários setores da sua atividade”.
“Mas a Direção Nacional, à falta de pensamento e de ideias novas, resolveu dar resposta a tudo isto – questões complexas – com cartazes primários que apontam culpados a dedo. Faria melhor se se inspirasse no pensamento cristão onde a culpa nunca pode ser coletiva”, sublinha.
O ex-deputado lembra que aderiu ao Chega em 2024, num “momento de degradação da vida política portuguesa, marcada por sucessivos casos de corrupção” e que conduziu à marcação de eleições antecipadas.
“Acreditei que a convergência de vontades visível no decorrer dos trabalhos da Convenção de Viana do Castelo, do mesmo ano, podia levar o Partido ‘com novas cores’ a ter ‘Portugal como destino’ e a fazer relembrar a AD de Francisco Sá Carneiro”, escreve, acrescentando que foi essa a esperança que o animou enquanto militante, dirigente e deputado.
Henrique de Freitas sublinha que em Portalegre, o distrito que o elegeu em 2024, encontrou “gente valente, honesta e desinteressada com enorme dedicação ao Partido” e da qual o Chega precisava para se afirmar. Só que “a Direção Nacional fez outras escolhas, más escolhas, destruiu um projeto e conduziu o Partido a resultados autárquicos humilhantes”.
Do mesmo modo, refere que aderiu ao partido “na expectativa de encontrar um novo ambiente político que elevasse a discussão e o debate para patamares éticos, morais e de urbanidade”, mas “a escolha da Direção Nacional foi noutro sentido, no mau sentido, e promoveram-se comportamentos no espaço público-televisivo e parlamentar a todos os títulos reprováveis”.
Antes de aderir ao Chega, em 2024, quando ainda militava no PSD, Henrique de Freitas foi secretário de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes no XV Governo Constitucional e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros no XVI Governo Constitucional, chefiados por José Manuel Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, respetivamente.
No Chega, Henrique de Freitas tinha abandonado a presidência da Distrital de Portalegre do partido após ter ficado fora das listas de candidatos a deputados às legislativas de maio.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.












2 Responses
Então ele não sabia como funcionava este partido e o chefe? Amanhã está noutro.
Devia ter vergonha
Dizer mal de um partido que o acolheu não fica bem
Ainda passou pouco tempo