«É um problema transversal de todas as escolas [profissionais]. A atualização dos plafonds de financiamento dos cursos não é feita há anos. Penso que há mais de 15 anos», alerta o presidente do conselho de administração da Escola Profissional de Odemira (EPO).
Paulo Trindade, que dirige uma escola considerada exemplo na integração de jovens imigrantes, vincou que a situação exige uma resposta urgente.
«É impossível não haver uma atualização destes plafonds que são atribuídos às escolas durante tanto tempo, quando todos os custos aumentam, inclusive os custos com o pessoal», afirma o diretor da EPO, que conta com um orçamento global de cerca de dois milhões de euros.
Já o presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais (Anespo) reconhece tratar-se de um problema para as escolas profissionais e lembra que esta é uma exigência feita «há anos» junto dos sucessivos governos.
«Estamos a falar de um financiamento que foi fixado, em 2010. Passados 16 anos e, com uma taxa de inflação acumulada de 32%», ainda não houve «uma atualização das tabelas» de financiamento dos cursos, lamenta Amadeu Dinis, segundo o qual o processo negocial «tem evoluído», com o atual Governo a assumir «o compromisso» de atualização das tabelas e um reforço do «valor do financiamento para os cursos» no próximo ano letivo.
«Ainda não sabemos o valor do upgrade que vai ser dado, mas há o compromisso de que, no final de abril, nos seja dada a percentagem de atualização que vai ser feita para um dos cursos», acrescenta.
O responsável da Anespo, que representa cerca de 200 escolas no país, destaca o trabalho «muito estruturado» da Escola Profissional de Odemira na integração de jovens imigrantes, que faz desta escola do litoral alentejano «um exemplo» a nível nacional.
«Devido ao território onde está inserida, com o setor agrícola a atrair muitos imigrantes que trazem as famílias e os filhos em idade escolar, muitos nem sabem falar a nossa língua, a escola faz um trabalho excecional na sua integração numa nova realidade», sublinha.
O ensino profissional em Portugal integra atualmente mais de 50 mil alunos, distribuídos por cerca de 2.500 turmas, sendo que entre 10% e 15% dos estudantes são imigrantes. «Portugal é cada vez mais um país que recebe estrangeiros para trabalhar e é preciso acomodá-los, integrá-los e dar-lhes acesso às oportunidades que os nossos cidadãos têm. E é isso o que estas escolas fazem, sem dúvida», diz Amadeu Dinis.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Nuno Veiga/Lusa/Arquivo












