O balanço foi atualizado com a confirmação de mais um caso. «Trata-se de um homem de 72 anos, do município de Don Benito, pertencente à área de saúde de Don Benito-Villanueva de la Serena, que precisou de internamento hospitalar», refere o SES.
Estão atualmente internados oito doentes: quatro no Hospital Don Benito-Villanueva, três no Hospital Universitário de Cáceres e um no Hospital de Mérida. A 22 de agosto, o SES contabilizava 21 casos, cinco dos quais hospitalizados.
A direção do SES informou as gerências das oito áreas de saúde da região «para que se mantenham em situação de vigilância perante qualquer suspeita de casos de clínica compatível», mantendo «uma atitude de alerta face a possíveis casos, que permitirá aumentar a capacidade de diagnóstico». O organismo lembra, porém, que 80% das infeções em humanos são assintomáticas.
Nas restantes, a doença manifesta-se por febre, dores de cabeça, cansaço, dores no corpo, náuseas e vómitos, podendo surgir ainda erupções cutâneas no tronco e inflamação dos gânglios linfáticos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada 150 pessoas infetadas desenvolve uma forma grave, que atinge o sistema nervoso e pode provocar tremores, convulsões, paralisias e coma. O risco é maior a partir dos 50 anos e entre pessoas com o sistema imunitário debilitado.
Identificado pela primeira vez em 1937, numa mulher infetada no Uganda, o vírus está cada vez mais presente na Europa. «Com temperaturas elevadas, os mosquitos reproduzem-se mais rapidamente. Com maior população de mosquitos, o potencial epidémico do vírus é maior», resume Jan Semenza, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, citado pela BBC.
Na Extremadura está em curso o Plano de Vigilância de Vetores 2026 que, segundo o SES, «reforçou e ampliou os sistemas de vigilância entomológica, essenciais para a deteção precoce e o controlo de riscos». Para o mosquito Culex, transmissor do vírus, vai ser implementado «pela primeira vez, um programa de vigilância deste mosquito, com o objetivo de detetar o vetor com vírus».
O sistema inclui 10 armadilhas fixas — oito em Don Benito e duas em Cáceres — e uma móvel, operacionais entre meados de julho e finais de outubro. A identificação das espécies e a extração de ARN viral ficam a cargo da Faculdade de Veterinária de Cáceres, da Universidade da Extremadura (UEx), com a qual foi assinado um protocolo de colaboração.
Esta abordagem, explica o SES, «possibilita antecipar-se à transmissão», ativando medidas de prevenção individual e comunitária e ações de controlo «para reduzir ou eliminar mosquitos infetados e minimizar o risco de casos humanos».
Entre as recomendações à população, o organismo aconselha a «manter em boas condições as piscinas, tanques ou charcas» e a evitar que contenham água «objetos como pratos debaixo de vasos, jarros, baldes, brinquedos, pratos de animais domésticos e pneus». Recomenda também «vestir roupa de cores claras e, se possível, cobrir a maior parte do corpo com manga comprida, calças compridas, calçado fechado», bem como «evitar o uso de sabonetes aromatizados, perfumes e lacas para o cabelo, já que podem atrair insetos».










