Fenareg critica perda anual de 500 milhões por falta de investimento em regadio

A Fenareg diz que Portugal está a perder mais de 500 milhões de euros por ano por falta de investimento em regadio, sublinhando o impacto decisivo desta opção em regiões agrícolas como o Alentejo e defendendo a execução integral da estratégia nacional "Água que Une".

Segundo números da Fenareg – Federação Nacional de Regantes, Portugal está a perder mais de 500 milhões de euros por ano por não investir em regadio, um valor que se baseia na produção agrícola padrão para cada tipo de cultura. 

“A cultura de regadio produz 5,5 vezes mais do que a de sequeiro. A área que não for convertida em regadio produz em sequeiro. O que estamos a perder é a diferença entre o que produz um hectare de regadio face a um de sequeiro”, diz José Núncio, presidente da Federação, sublinhando a importância de executar a estratégia “Água que Une”, com perto de 300 medidas para a gestão eficiente dos recursos hídricos. 

A Fenareg lembra que, no âmbito desta estratégia, foi realizado um levantamento das necessidades, estimando-se um total de 120 mil hectares de novas áreas com potencial de rega. A estratégia prevê investimentos que ultrapassam os 5.000 milhões de euros até 2030 e um montante equivalente numa segunda fase. 

“Ao fim de 10 anos, o custo de não investir [em regadio] seria equivalente ao de realizar os investimentos até 2030”, assegura José Núncio, considerando que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) podia ter sido melhor aproveitado para a agricultura e que agora “há pouco a fazer”, tendo em conta que este termina em 2026.  Contudo, ressalvou que “o mundo não acaba com o PRR” e que existem outros fundos que podem ser canalizados, além de acrescentar que o país está numa situação económica melhor. 

O presidente da Fenareg mostrou-se ainda preocupado quanto ao futuro da Política Agrícola Comum (PAC), tendo em conta que a proposta em cima da mesa, para o período pós 2027, determina o fim do segundo pilar (desenvolvimento rural) da PAC, deixando o investimento na mão dos Estados-membros.

“Há diferentes capacidades de investimento nos países da Europa. Não podemos comparar a capacidade de investimento do governo alemão com a do português. [A proposta] vai no sentido da nacionalização das políticas agrícolas e não traz nada de bom para o equilíbrio da Europa”, remata. 

Atualmente, o regadio representa 30% do valor total da produção agrícola e cobre 17% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU), ou seja, 633 mil hectares. A “Água que Une” tem em vista a expansão da área do regadio para 20% da SAU.

Referindo que a instabilidade política não contribuiu para a execução desta estratégia, a Fenareg considera que, neste momento, estão reunidas todas as condições, com uma maioria estável e um Orçamento do Estado aprovado, para que esta avance: “O regadio é fundamental. Basta olharmos para Beja antes e depois do Alqueva para vermos o impacto que tem. A agricultura do regadio é a indústria do interior”. 

A Federação organiza as XVI Jornadas do Regadio, que decorrem hoje, em Lisboa, dedicadas ao tema “Regadio: um olhar para o futuro”.  Este evento reúne especialistas nacionais e internacionais para debater o futuro da água e do regadio, no contexto da “Água que Une” e da reforma da PAC.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

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