O evento é organizado pela Câmara de Beja, em parceria com os agrupamentos de escolas do concelho e diversas entidades, e prolonga-se até segunda-feira.
O festival propõe uma transformação do centro histórico da cidade «num autêntico mercado romano, com centenas de participantes trajados a rigor» disse o município, em comunicado.
O programa, de acordo com a organização, cruza recriação histórica, animação de rua, gastronomia, dança, património, atividades pedagógicas, conferências e exposições.
O epicentro do evento é na Praça da República, «onde se situava o fórum e onde estão identificados dois templos romanos», um deles considerado «o maior e mais monumental descoberto até hoje em território português», realçou a autarquia.
Segundo o vereador da Câmara de Beja com o pelouro da Cultura, Vítor Picado, «um dos momentos altos» do evento vai ser o cortejo inaugural pelas ruas da cidade, às 10h00 de sexta-feira, com «cerca de 1.800 a 2.000» participantes.
Segundo a câmara, a edição deste ano tem como temática Pax Julia – do Vinho e do Espetáculo e pretende homenagear o setor e todas as atividades relacionadas com a área.
«O vinho desempenhou também um papel muito importante nas festividades romanas, onde era o verdadeiro protagonista quando os romanos brindavam, celebrando conquistas, laços de amizade, manifestações religiosas, [assim como] a fertilidade, a alegria e a vida», referiu o município.
Com o Baixo Alentejo a ostentar o título de Cidade Europeia do Vinho 2026, o município vai apresentar o Vinho de Talha Beja Romana, em parceria com a Herdade da Figueirinha.
O vereador Vítor Picado referiu à Lusa que, além das tradicionais oficinas, jogos romanos, espetáculos de música, dança, fogo e acrobacias, exposições e provas de vinho, o certame acolhe diversas «conferências sobre arqueologia e a presença romana no território».
«Este ano, teremos também um conjunto de conferências ligado ao Fórum Romano e à própria visitação do espaço em que queremos fazer esta ligação [cultural] às pessoas, às escolas e ao movimento associativo», disse.
As palestras, intituladas A necrópole romana da rua da Lavoura: Os mortos e os vivos, Viver nos campos do Alentejo em época romana e A fábrica urbana de Beja – Das portas ao fórum de Pax Julia, serão dinamizadas pelos arqueólogos Miguel Serra, André Carneiro e Conceição Lopes.
Outra das novidades desta edição é a Rota dos Petiscos, que envolve «restaurantes, bares e operadores presentes no mercado alimentar da cidade», promovendo «uma experiência gastronómica diferenciadora durante o evento».
«Pretende-se valorizar o património cultural local através da gastronomia, estabelecendo pontes com o legado do mundo romano e reforçando a identidade histórica de Beja», disse a autarquia.
Para Vítor Picado, este tipo de eventos vem confirmar que «Beja tem condições ao nível do património para ser catapultada numa outra dinâmica» e oferecer «uma oferta patrimonial em rede».
«O nosso objetivo é que haja uma oferta patrimonial mais integrada, conjugando o Museu do Sembrano com a Vila Romana de Pisões ou com o Museu Regional, [e com] uma visão global do concelho e da região», aludiu.
O Festival Beja Romana conta ainda com batismos a cavalo e um concurso de fotografia, entre outras iniciativas.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












