O Festival das Florestas Marinhas realiza-se até dia 22, em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira.
De acordo com Ester Serrão, uma das coordenadoras científicas do festival e docente na Universidade do Algarve, «as maiores ameaças às florestas marinhas [em Portugal] são as atividades terrestres, que depois têm impacto no oceano».
Por exemplo, «quando há destruição da vegetação, provocamos erosão terrestre e existe uma série de partículas do solo que vão sendo arrastadas pelas chuvas, vão parar à costa e soterrar as florestas marinhas», disse, acrescentando: «o facto de provocarmos erosão costeira que vai soterrar as rochas e cobri-las de sedimentos, faz com que não haja habitat, ou seja, um espaço de rocha limpa onde os pequenos estados microscópicos se possam agarrar».
Ester Serrão apontou ainda a utilização de pesticidas e produtos químicos em meio terrestre como outra ameaça à preservação das florestas marinhas, assim como «atirar âncoras dos barcos ou fazer arrastos».
«Deita-se uma âncora sobre corais e destruímos os corais, deita-se uma âncora sobre uma pradaria marinha e arrancamos as plantas», ilustrou.
Segundo a bióloga, as florestas marinhas «são essenciais para toda uma série de funções dos ecossistemas marinhos da (…) costa».
Por isso, frisou, «é importante mostrar que são ecossistemas únicos e muito ricos, mas que enfrentam desafios crescentes, ligados à ação dos seres humanos».
A quarta edição do Festival das Florestas Marinhas, que arrancou na quarta-feira, tem como objetivo «promover o conhecimento científico, a sensibilização e o envolvimento da comunidade na valorização dos ecossistemas marinhos e na proteção dos oceanos».
A iniciativa é promovida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve, em parceria com o Município de Odemira, o Colégio Nossa Senhora da Graça, a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes e a Universidade do Algarve e o apoio de várias entidades.
Segundo a organização, o festival «reúne cientistas, estudantes, residentes e visitantes para um vasto conjunto de iniciativas destinadas à sensibilização para a conservação, partilha de conhecimento científico e descoberta ativa da riqueza dos habitats costeiros e marinhos».
«Queremos que as pessoas saiam do festival a olhar para o oceano de forma diferente e todos com um sentido de responsabilidade e de contribuir para conservar estes ecossistemas, que são tão essenciais para sustentar as gerações futuras e a biodiversidade marinha na nossa costa», frisou Ester Serrão.
No âmbito do festival, está prevista, para domingo, a reunião científica Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?, com apresentações de investigadores, empresas e organizações sobre biodiversidade, conservação, restauro, cultivo, inovação e bioeconomia das florestas marinhas.
Depois, entre os dias 18 e 22, tem lugar um programa «de descoberta» de algas e plantas marinhas do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina para alunos universitários, organizado pela Universidade do Algarve.
As florestas marinhas são formadas por organismos como algas e outras espécies estruturantes dos ecossistemas costeiros, desempenhando «um papel vital na manutenção da biodiversidade, na produção de oxigénio e na captura de carbono», além contribuírem «para a mitigação das alterações climáticas e equilíbrio dos oceanos», indicou a organização do festival.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












