Habitualmente fora do circuito de visitas, o Forte de São Clemente recebe o concerto «O Mundo, Essa Nossa Casa: Poemas Sonoros», protagonizado pelo Mario Nandayapa Quartet. A iniciativa reúne a tradição musical de Chiapas, no sul do México, e o património de Vila Nova de Milfontes, numa fortificação erguida sobre a foz do rio Mira.
Segundo a Pedra Angular, organizadora do Terras sem Sombra, o forte transforma-se, por uma noite, «num espaço de encontro entre dois patrimónios apartados pelo Atlântico».
No centro do concerto está a marimba, instrumento formado por lâminas de madeira percutidas por baquetas e associadas a ressonadores acústicos. As suas dimensões permitem que vários músicos a toquem em simultâneo, reunindo funções melódicas, harmónicas e rítmicas. Como explica a organização, «a marimba pode assumir a dimensão de uma pequena orquestra».
O programa parte da tradição mexicana, com obras de Rafael de Paz González e Zeferino Nandayapa, compositores ligados à afirmação do instrumento e à cultura musical de Chiapas. Atravessa depois o repertório europeu, com Bach, Franz von Suppé e Manuel de Falla, antes de regressar ao México através de Silvestre Revueltas, uma das figuras centrais da música mexicana do século XX.
Fundado em 2008 pelo músico mexicano Mario Nandayapa, o quarteto integra também os seus filhos Mario, Tania e Daniel. O agrupamento dá continuidade, segundo a organização, «a uma tradição familiar de construtores e intérpretes de marimba com mais de um século».
O seu repertório cruza música tradicional mexicana, jazz e criação contemporânea. O percurso internacional inclui apresentações no Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul, China, Brasil, Belize e Porto Rico, tendo passado pelo Tōdai-ji Kinsho Hall, em Nara, pelo Copley Symphony Hall, em San Diego, pelo Hi Seoul Festival e pelo Festival Internacional Cervantino.
O concerto permite ainda o acesso ao interior do Forte de São Clemente, propriedade privada que não integra o circuito habitual de visitas. A organização sublinha que esta abertura representa «uma oportunidade pouco comum de conhecer o interior de um dos edifícios históricos mais emblemáticos da localidade».
Construída entre 1599 e 1602, na sequência dos ataques que atingiram esta faixa do litoral no final do século XVI, a fortificação destinava-se a defender a entrada do Mira e a proteger a povoação. Depois de perder a função militar, passou para mãos privadas no início do século XX e foi adaptada a residência. Está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1978.
A realização do concerto conta com a parceria da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, dos proprietários do Forte de São Clemente, Leigh e Richard Schell, da Secretaria de Relações Exteriores do México, da Embaixada do México em Portugal e do programa Ibermúsicas.
Fotografia: Forte de São Clemente. © Tiago Canhoto/Lusa/Arquivo











Uma resposta
Muito bom, gostei imenso do som inconfundível das marimbas, magistralmente tocadas, abordando músicas algumas identificáveis e a quatro músicos, o que nunca tinha visto, recordando o que acontece na Banda de Odemira, por vezes a dois músicos e a minha sobrinha-neta que o toca também com muita qualidade. Só foi pena a noite fria.