Presidida pelo cantor de intervenção Francisco Fanhais, amigo próximo do autor de «Grândola, Vila Morena», a comissão integra pessoas ligadas ao percurso artístico e pessoal de José Afonso, investigadores, historiadores, representantes de instituições e personalidades de Grândola.
Entre os membros incluem-se Alcides Bizarro, chefe da Divisão de Cultura do município, Arturo Reguera, Dulce Manuel, Guilherme Lourenço, Irene Flunser Pimentel, João Afonso, José Fortes, Luís Freitas Branco, Rui Pato, Rui Vieira Nery e Viriato Teles.
A Associação José Afonso está representada por João Madeira, a Associação 25 de Abril por Vasco Lourenço e a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense por Adélia Botelho Candeias.
De acordo com o presidente da Câmara de Grândola, Luís Vital Alexandre, a escolha dos nomes «tentou ser abrangente, diversificada, aliando pessoas diretamente relacionadas com José Afonso e com o seu percurso» artístico.
O autarca acrescenta que também estão integradas na comissão pessoas de Grândola «que representam a passagem de testemunho» entre os que viveram a «Grândola, Vila Morena», nos anos 70, e os mais novos.
Segundo o autarca, a comissão terá «um papel ativo na definição da programação» do centenário, com a apresentação de propostas e na organização, acrescentando «sentido crítico e inovação» às comemorações.
A apresentação oficial da comissão decorreu junto à obra de arte pública «Os Bravos», de Vhils, que representa José Afonso.
O município pretende iniciar formalmente as comemorações em 17 de maio de 2028, data em que, em 1964, o músico visitou pela primeira vez a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. O programa vai estender-se até 02 de agosto de 2029, data em que se assinala o centenário do nascimento do cantor, ocorrido a 02 de agosto de 1929, em Aveiro.
Está ainda previsto um projeto cinematográfico desenvolvido e candidatado pela autarquia, refere o autarca, sem adiantar mais pormenores. Quanto ao orçamento previsto pelo município, Luís Vital Alexandre explica que ainda não está «definido», podendo depender de eventuais parcerias.
A Câmara de Grândola vai solicitar o patrocínio da Presidência da República e convidar o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto a associar-se às comemorações.
O autarca diz ainda que a família de José Afonso optou por «não se envolver diretamente» na comissão, «sem prejuízo de poder participar nas iniciativas que entenda mais simbólicas ou relevantes».
«A figura do José Afonso não é apropriável por ninguém. Não foi em vida e não é agora. E esse é o motivo pelo qual, desde que manifestei a intenção de constituir esta comissão para as comemorações do seu nascimento, entrei em contacto com a família», sublinha.
Com estas comemorações, o autarca quer garantir que o legado deixado por José Afonso em Grândola seja transmitido pelas «gerações que viveram estes episódios da história» aos mais jovens que «só os conhecem por relatos, pelos livros, pelos filmes».
Autor de «Grândola, Vila Morena», uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas na Revolução de 25 de Abril de 1974, José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.










