Nasceu em Serpa já depois do 25 de Abril de 1974, a 17 de janeiro de 1976. Aqui fez os estudos básicos e secundários e, também aqui, conheceu Ricardo Mestre, ex-secretário de Estado da Saúde, “amigo desde sempre”, que o acompanhou nesta caminhada liderando a lista candidata à assembleia municipal.
Em jovem, jogou futebol, primeiro no Serpa, depois, no Aldenovense, até ir para a Universidade da Beira Interior, tendo concluído a sua formação académica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Faculdade de Coimbra, local onde, para além de estudar, se iniciou na vida associativa, tendo integrado a direção da associação de estudantes.
Em conversa com a Alentejo Ilustrado, Francisco Picareta diz que, nessa altura não só conheceu “muita gente” como muitos desses antigos colegas “são hoje presidentes de câmara, outros foram candidatos a autarcas ou deputados”. Vem daí o seu gosto pela coisa pública e a vontade de intervir na sociedade. Até maio deste ano foi presidente do Futebol Clube de Serpa, cargo que abandonou quando decidiu candidatar-se à autarquia serpense. Decidiu sair para “separar as águas”.
O novo presidente da Câmara é casado em segundas núpcias com Dória, também engenheira civil, e tem dois filhos: Francisco, com 17 anos, estudante de gestão na Faculdade do Algarve, e Maria, com 11 anos. Iniciou a sua carreira profissional numa empresa do grupo Mota-Engil, tendo depois trabalhado em várias empresas com obras no Sul do país. Durante uns anos viveu no Algarve, mas “regressava à terra com muita frequência”.
Aos 49 anos decidiu aceitar o desafio que lhe foi feito e candidatar-se à Câmara de Serpa, nas mãos do PCP desde o 25 de Abril. “Uma autarquia” – acusa – “onde nos últimos tempos [a CDU colocou] os interesses partidários a nível nacional à frente dos inteesses da população, das empresas e das instituições de Serpa”.
“O compromisso que assumimos é o de colocar os interesses das pessoas acima de quaisquer interesses partidários e fazermos uma governação para aquilo que é melhor para o nosso concelho. Esta é a grande diferença, uma diferença de fundo”, sublinha.
Para ilustrar esta situação que critica, lembra uma das prioridades do seu mandato que “é a construção da Escola Secundária de Serpa”, considerando que este assunto “foi uma hipótese perdida pelos executivos anteriores [já que] em tempos houve oportunidade através dos fundos comunitários de executar a obra apenas com a participação de 300 ou 350 mil euros [por parte da autarquia] mas não a quiseram executar porque entendiam que isso era da responsabilidade da Administração Central”.
Francisco Picareta garante que, agora, o novo Executivo autárquico irá tentar executar o projeto recorrendo a um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI) que o Governo disponibiliza e que incluirá, ainda, uma intervenção na escola de Vila Nova de São Bento.
Mas as prioridades são muitas. São conhecidas as dificuldades que a Santa Casa da Misericórdia de Serpa – atualmente responsável pela gestão do Hospital de São Paulo – tem atravessado, nomeadamente com salários em atraso aos trabalhadores do Lar de São Francisco.
O novo presidente da autarquia considera que, “ao contrário do que se passou nos últimos anos, a Câmara Municipal tem uma palavra a dizer e um papel a desempenhar em relação a qualquer problema que se passe no concelho”.
O autarca socialista considera “primordial salvaguardar o serviço que a Misericórdia de Serpa presta à população” e promete criar “um gabinete de apoio às instituições particulares de solidariedade social, porque são muito importantes para o concelho”. Trata-se de uma medida que surgiu durante a campanha eleitoral: “Constatámos que estas instituições estão a trabalhar isoladamente e queremos que possam trabalhar em rede para melhorar o serviço que prestam”.
Ainda nesta área quer “rapidamente, desenvolver regulamentos de incentivo à fixação de profissionais da área de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros, e apoiar a população mais carenciada na aquisição de medicamentos”.

FÁBRICA DE NEGÓCIOS
Também ao nível empresarial Francisco Picareta pretende que a Câmara de Serpa possa intervir de forma a “criar condições para que as empresas que cá estão se possam desenvolver e atrair novas empresas”. Para isso irá avançar com “uma fábrica de negócios”.
Segundo explica, a fábrica “será um espaço de coworking virado para as novas gerações e empresas nas áreas da inovação e tecnologia, mas também de apoio às empresas existentes ou a novos empresários para terem um espaço onde se instalar. É uma aposta que ajuda na captação de pessoas para realizarem esse investimento e iremos também ajudar na pesquisa de financiamentos comunitários”.
A fixação de jovens no concelho ou a sua atração também está no radar. “Primeiro de tudo temos de os ouvir, é o que estamos a fazer, para perceber as suas dificuldades. Mas esta questão necessita de medidas integradas: melhorar as condições na área da saúde, na educação e, depois, temos de criar habitação destinada aos casais jovens, para poderem ter espaço para se integrar”. O que promete fazer através de loteamentos municipais e da promoção de habitação a preços acessíveis.
Serpa é um concelho onde o sector agrícola desempenha um papel fundamental, sendo que a falta de mão-de-obra é um problema que se faz sentir em várias regiões do país. “É um grande problema a nível nacional” – prossegue – “não só na agricultura, também na construção civil. As empresas terão de se adaptar à nova legislação que o Governo está a implementar e, com certeza, procurar soluções, porque a imigração é, efetivamente, necessária no nosso concelho”.
Francisco Picareta pretende reunir com as empresas do sector para avaliar o que precisam. “Melhor do que ninguém, os agricultores sabem aquilo que necessitam e, depois, cabe-nos criar o contexto para que essas empresas possam desenvolver a sua atividade em melhores condições”.
No caso dos imigrantes, refere, “o que a autarquia tem de fazer é criar condições para a sua integração, seja ao nível da educação, seja do desporto, ou da formação profissional. Temos de ajudar a integrá-los na nossa cultura, na nossa vida, e ajudar à sua participação de forma ativa para haver uma efetiva integração”.
A área da cultura, com a elaboração de um plano municipal, ou a recuperação do Centro Histórico da cidade, são outros dos objetivos do autarca, sendo que, neste último caso, a ideia passa também por “promover a habitação, porque nada se faz sem as pessoas, nomeadamente para que casais jovens se possam instalar” no centro histórico.
Logo para os primeiros dias do mandato as atenções estarão viradas para os funcionários da autarquia. O novo Executivo quer avaliar a situação para, depois, “promover uma reorganização dos serviços em conjunto com todos os funcionários, para se poder prestar um melhor serviço à comunidade”. Segundo Francisco Picareta, “há muitos serviços que não têm correspondido às necessidades das pessoas, e queremos fazer essa remodelação com os funcionários da autarquia, que são fundamentais no seu funcionamento”.












Uma resposta
Ainda que estejamos face a um conjunto de propósitos, perpassa ao longo do texto, uma atitude diferente face ao passado, uma atitude pro- activa, que contrasta com os anteriores executivos…. Muitos parabéns, Sr. Presidente, votos de um excelente trabalho a toda a equipa!
Que nunca lhes falte essa motivação!