Os dois representantes do corpo técnico, administrativo e de gestão no Conselho Geral da UÉ, Isália Morais e Sérgio Pereira, vão reunir-se na Assembleia da República com o grupo parlamentar do PCP. Para dia 16 está já agendada nova reunião, agora com o grupo parlamentar do PS.
Estas reuniões foram pedidas pelos representantes destes funcionários da Universidade, no âmbito de uma carta enviada, em agosto, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, sobre a revisão do RJIES.
Na missiva, os subscritores dizem que a proposta do Governo de alteração do RJIES “inscreve-se num momento de transformação estrutural do sistema de Ensino Superior em Portugal”.
“Representamos um universo de cerca de 15 mil profissionais que asseguram diariamente o funcionamento das instituições de ensino superior pelo país e o ‘significado’ que nos é atribuído no âmbito da revisão do RJIES revela-se claramente desajustado, traduzindo-se em desmotivação, desvalorização e desinteresse”, pode ler-se.
Segundo Isália Morais, na carta os representantes dos funcionários técnicos, administrativos e de gestão no Conselho Geral manifestam a sua preocupação e discordância por, na revisão do RJIES, perderem “peso” na eleição do reitor.
“Atualmente, o reitor é eleito por um corpo restrito, composto por docentes, alunos e alguns funcionários, em que os professores têm mais peso. Até aí tudo certo. Neste novo RJIES é proposto que a eleição passe a ser direta e feita pela academia, introduzindo o contributo dos ex-alunos”, relatou.
“Mas o problema e o que nos choca é que a revisão propõe que esses ex-alunos tenham um peso superior ao nosso. Até conseguimos compreender que os queiram introduzir para dar uma nova dinâmica e visão na eleição do reitor, mas não podemos aceitar que tenham um peso neste processo superior ao de quem está a trabalhar na academia há 20, 30 ou 40 anos”, acrescentou.
Por isso, o corpo técnico, administrativo e de gestão quer ver “aumentada a sua percentagem” de voto na eleição do reitor na proposta de revisão do RJIES.
Na carta, é sugerido que, neste processo, “o pessoal técnico, administrativo e de gestão tenha uma representatividade mínima de 20%” e que seja “condição essencial que nenhum dos corpos participantes possa exceder 45% do total de representação, salvaguardando o equilíbrio e a pluralidade de visões na governação” das instituições de ensino superior.
“Estes são os pontos com os quais não concordamos e que queremos passar aos grupos parlamentares”, frisou Isália Morais, lembrando que foi ainda solicitada uma audiência com o ministro da Educação, sem resposta até ao momento.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.












