Dinamizado no âmbito do projeto cultural sem fins lucrativos com o mesmo nome, o festival Futurama – Ecossistema Cultural e Artístico do Baixo Alentejo propõe «um percurso que cruza linguagens, gerações e contextos», para «abrir a cultura a todos e construir futuro a partir do presente».
«É essa a nossa base de trabalho, ou seja, a partir do território e da comunidade que existe nele, fazer novas criações e sempre em co-criação com a comunidade», explicou a coordenadora artística do festival, Rita Fialho Valente, que sublinha a aposta em criar «um caminho paralelo e reinventar a tradição» da região.
«Só assim é que os jovens também se vão rever nesse trabalho e na base que é a sua identidade», disse, acrescentando: «Temos de olhar para o futuro e pensar que nada está cristalizado. Temos que manter [as tradições], mas também temos que criar para ter novas coisas e novos pensamentos.»
O festival arranca em Beja nos dias 15 e 16, com a inauguração da exposição de fotografia Na Pele do Ecrã, criada por David Infante com alunos do Instituto Politécnico, e a instalação Mesa com Natureza, a Natureza Posta, de Horácio Frutuoso em parceria com utentes da Cercibeja.
O programa na capital de distrito inclui ainda um concerto de t.204, projeto de João Spencer, o espetáculo de teatro Popular, de Sara Inês Gigante, e a instalação Face ID, criada pela artista Carincur, natural do concelho, com alunos da Escola Secundária Diogo de Gouveia.
A 22 de maio, o festival chega a Mértola com a instalação Frutificação, de Ana Baleia em residência artística com utentes da Universidade Sénior, e a performance Guardar o Lugar, de Mariana Tengner Barros, com praticantes de ginástica acrobática e alunos da escola de música da Escola Profissional ALSUD.
O encerramento acontece a 30 de maio em Alvito, com um momento de reflexão no âmbito dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa e a apresentação da instalação Alvito/Altivo, de Fillippo Fiumani em co-criação com alunos da Escola Profissional local.
Ao longo dos três momentos do festival será apresentada uma nova edição do projeto Cantexto, em que grupos de cante alentejano interpretam novas «modas» escritas por autores contemporâneos — este ano Bruno Vieira Amaral, Cristina Taquelim, Hugo van der Ding, Nástio Mosquito, Patrícia Reis e Yara Nakahanda Monteiro —, musicadas por Ana Santos, Celina da Piedade, Clara Palma, Pedro Mestre e Paulo Ribeiro.
As peças serão interpretadas pelos grupos corais de Baleizão, de Cante Alentejano de Alvito, Feminino Alma Nova de Ferreira do Alentejo, Raízes do Cante da Cuba, Cantares Alentejanos da GNR e o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento.










