Gasóleo mais caro aperta tesouraria dos bombeiros do distrito de Portalegre

A Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre admite avançar com protestos na região, como a recusa de transportes de altas hospitalares, se o Governo não reforçar o apoio às corporações face à subida dos combustíveis.

O presidente da federação, Manuel Marçal Lopes, manifestou-se preocupado com a subida dos preços dos combustíveis e reivindica uma resposta mais musculada por parte do Governo para fazer face à tesouraria das corporações.

O dirigente defende uma subida do valor do apoio por litro ao gasóleo profissional, que se situa nos 10 cêntimos, o que considera «manifestamente insuficiente», uma vez que a situação «complicou-se» nos últimos tempos, acrescentando: «Em relação aos 10 cêntimos, nós não entendemos, de todo, o valor que transferiram que, em termos médios, só corresponde a 50% daquilo que era a nossa expectativa».

Manuel Marçal Lopes denuncia ainda que, no âmbito deste apoio, há corporações no distrito de Portalegre que ainda não receberam o valor «referente ao período de abril a junho».

O dirigente alerta que, «se nada for feito» e se «nada for resolvido», da parte da federação «existem intenções» de avançar com um protesto, nomeadamente com a paralisação do transporte de altas hospitalares, explicando que, «se não causarmos “emperros” no sistema, nunca ninguém nos vai ligar como nunca nos ligaram até hoje sobre este assunto».

Manuel Marçal Lopes acrescentou ainda que «são sensíveis» aos danos que podem vir a causar caso o protesto avance, mas recorda que «não há medida reivindicativa que não cause transtorno».

O Governo prolongou até ao final do ano o apoio de 10 cêntimos por litro ao gasóleo profissional e reeditou apoios a táxis, bombeiros e setor social, num pacote de 38 milhões de euros para setores mais afetados pelos combustíveis. «Vamos reeditar este apoio com o objetivo de diminuir o impacto do aumento do custo dos combustíveis», anunciou no dia 17 deste mês o primeiro-ministro, Luís Montenegro, numa declaração ao país após a reunião do Conselho de Ministros.

As medidas retomam apoios extraordinários que vigoraram entre abril e junho para setores particularmente expostos à subida dos combustíveis, incluindo transportes, táxis, bombeiros e entidades do setor social.

Dos 38 milhões de euros aprovados, 30 milhões de euros destinam-se ao transporte de mercadorias e pronto-socorro, com apoios entre 118,20 euros e 457,80 euros por veículo, consoante o peso bruto, estando previstos para o transporte público rodoviário de passageiros cinco milhões de euros, correspondentes a um apoio de 420 euros por autocarro. Os restantes três milhões de euros destinam-se aos táxis, bombeiros e setor social.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa

Fotografia: © Bombeiros de Portalegre

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