Gastronomia – Passagem meio avinagrada pela Capital do Borrego

No restaurante O Vinagre, na vila de Cano, cruzam-se memórias felizes com uma experiência recente menos conseguida, num concelho que se quer afirmar como Capital do Borrego. Luís Godinho (texto)

Foi em O Vinagre, na vila de Cano, que me reencontrei com um velho amigo de escola que já não via há vários anos, ocasião da qual recordo as costeletas de borrego grelhadas, que por um desses acasos da vida – viria a saber momentos depois – tinham origem na exploração pecuária do empresário que almoçava na mesa ao lado, e a quem ainda devo a visita então combinada. 

Foi também em O Vinagre que almocei, com um outro casal amigo, umas inesperadas e deliciosas enguias fritas, num dia em que a vontade – ou necessidade? – de partilha nos levou a escolher um restaurante a meio caminho entre os locais onde moramos.

Já tendo sido feliz no Vinagre, foi pois com alguma naturalidade que desafiei três amigos a um desvio de 40 quilómetros para conhecerem as propostas da casa. A coisa não correu inteiramente bem. A lista extensa – 27 alternativas, com predominância para a carne na brasa – incluía como sugestões do dia cachola à alentejana, bochechas à casa, frango frito, migas de batata com carne de alguidar, carne de porco à alentejana e lombinhos na brasa. 

Ainda sobravam três doses de pezinhos de coentrada – uma indicação curiosamente colocada em carta – e, para opções não carnívoras, choco grelhado com batata frita, filetes de cherne e jaquinzinhos com arroz de tomate.

Na leitura das sugestões do dia fixa-se o olhar na tanguinha de porco preto na brasa com migas de espargos (20,00 euros). “É tipo o filé-mignon da vaca, mas do porco”, esclarece prontamente o encarregado da sala. Trata-se, na verdade, de mais uma designação comercial. Com tanta quantidade de secretos, lagartos, plumas e afins, há que encontrar novidades para atrair a atenção e esta – vai uma aposta? – ir-se-á expandir, seja na versão tanguinha do Vinagre, ou na versão “tanga”, proposta noutras paragens.

Lá se arriscou a tanguinha, mas talvez por causa do dia, frio e chuvoso, a aconselhar roupa mais quente, esta primeira prova não convenceu nenhum dos quatro que estavam à mesa, nada acrescentando em relação a outros cortes. Salvaram-se as migas, em muito bom plano.

O mesmo sucedeu com as costeletas de borrego (22,00), de tão boa memória, que desta vez nos chegaram com tempo a mais de grelha. A carta de vinhos é curta, apenas com referências alentejanas, ainda que com preços justos, ao contrário da conta final que nos pareceu inflacionada face ao que nos tinha passado pela mesa.

Sousel afirma-se como a Capital do Borrego e tem motivos para o fazer, desde logo por ser uma referência na criação de gado ovino, com mais de 80 explorações, que o tornam no maior produtor e fornecedor de carne de borrego do país. Essa marca, Capital do Borrego, tem potencial para atrair turistas e para transformar o concelho num destino gastronómico. Mas, para lá chegar, há ainda um longo trabalho a percorrer.

O VINAGRE

Rua da Ferrôa, n.º 67 – Cano

Tlf.: + 351 268 549 268

Homem da imprensa e da boa mesa, João Jaleca é a inspiração para a nossa grelha de avaliação dos restaurantes visitados

Fotografia: Facebook

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