Gavião trava projeto da Endesa por «impactos extremamente negativos»

A Câmara Municipal de Gavião emitiu parecer desfavorável a um projeto fotovoltaico e eólico apresentado pela Endesa, alegando que a infraestrutura terá «impactos extremamente negativos» para o território e poderá agravar a desertificação do concelho.

O parecer da autarquia incide sobre o projeto denominado «Linha Elétrica Atalaia-Torre das Vargens e Ramal da Linha Cruzeiro – Concavada para Torre das Vargens, a 220 kV», que esteve sujeito a consulta pública no portal Participa, entre os dias 29 de julho e 18 de agosto.

Uma parte da estrutura que suporta este projeto está associada aos trabalhos projetados pela Endesa para a reconversão da antiga central termoelétrica do Pego, em Abrantes, distrito de Santarém, que prevê a produção de energia por fontes renováveis e armazenamento.

O presidente da Câmara de Gavião, António Severino, justifica que a autarquia decidiu emitir parecer desfavorável tendo em conta a área já instalada no concelho de projetos desta natureza.

Segundo o autarca, o concelho dispõe atualmente de 400 hectares classificados como área de parque, que incluem zonas de afastamento e infraestruturas complementares, estando no interior desse perímetro 80 hectares ocupados por painéis solares.

«Nós não somos totalmente contra aquilo que é as energias renováveis, mas acho que deve aqui haver um equilíbrio entre territórios. E tendo em conta aquilo que já é a área instalada, parece-nos de todo que mais projetos desta natureza para o nosso território vão marcar negativamente aquilo que temos, ainda mais naquilo que são as zonas onde, para já, estão projetados este tipo de investimentos», disse.

«É um projeto que envolve aqui todos os territórios, envolve a criação de uma subestação muito perto de uma aldeia do nosso território, e envolve que todas as linhas vão ser remetidas, tanto do concelho do Crato, como de Ponte Sor, como os parques aqui do Gavião, para essa subestação, ou seja, tem impactos extremamente negativos, sobretudo para essas aldeias, onde as linhas se vão se cruzar», acrescentou.

O autarca considera que perante este cenário «ninguém defende» para o seu território este tipo de projetos, uma vez que podem contribuir para a desertificação da região.

«Já temos tão pouca gente. Com mais este tipo de situações, ninguém vai continuar a querer fixar-se no território, sobretudo nestas aldeias, ou seja, isto praticamente fica condenado ao abandono», disse.

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