Promovida pela Câmara Municipal de Odemira e com curadoria de Hugo Cruz, a Bienal reúne, segundo a autarquia, «artistas, investigadores, profissionais da cultura e comunidades num programa de acesso livre que cruza criação artística, ciência, pensamento crítico e participação».
O município apresenta-a como «uma nova plataforma internacional de criação, experimentação e pensamento contemporâneo ligada ao território, às comunidades e à diversidade cultural e ecológica da região», com a qual pretende «afirmar Odemira como um espaço de encontro entre arte, ciência, ambiente, educação e participação cidadã».
O mote desta primeira edição, «Tentemos», parte, de acordo com a Câmara, «da ideia de experimentação como ponto de ignição para imaginar outras realidades futuras», integrando «o exercício de tentar o “e se…” nas práticas artísticas, culturais e sociais do quotidiano».
A Bienal propõe-se ser «um espaço de dúvida, escuta e construção coletiva», com conversas, caminhadas, oficinas, instalações, concertos e performances que olham para «a diversidade cultural e ecológica de Odemira como matéria para pensar e imaginar o presente».
«Esta Bienal pretende ser um cruzamento onde nos encontramos para tomarmos outras direções», explica Hugo Cruz, acrescentando que a ideia é «tentar a construção de um lugar de encontros improváveis e inadiáveis entre as comunidades locais, seus protagonistas e vivências quotidianas, a natureza, os espaços públicos e artistas de Odemira, do país e do mundo». «É um apelo a tentarmos imaginar-nos de outras formas, a nos reencantarmos com todas [as] possibilidades que a vida pode ter — isso implica que pelo menos tentemos», conclui o curador.
«Tentemos» é também o nome de um dos projetos centrais da programação, uma criação da Ondamarela desenvolvida «ao longo dos últimos meses com habitantes, associações, coletivos musicais e artistas do concelho».
Segundo a autarquia, as «memórias, histórias, vozes e paisagens sonoras» recolhidas nesse processo dão origem a uma criação que «cruza música, palavra e performance» e que culmina na segunda-feira, 5 de outubro, num percurso entre a praça da República e o cerro do Peguinho, com a participação especial de Gisela João.
A relação entre comunidade e território está igualmente presente em «Selva Coragem», projeto interdisciplinar do Teatro do Frio que, a partir de plantas partilhadas pelos habitantes, ocupa um espaço abandonado da vila e o transforma «num lugar de encontro e criação».
O projeto cruza arte sonora, escrita dramatúrgica e performance com questões de sustentabilidade, biodiversidade e qualidade de vida e, refere o município, procura «restabelecer relações entre pessoas e lugares e experimentar outros usos para um espaço desvitalizado».
Em «A Esquina é o Centro», Luiz Rufino e Paula Cardoso conduzem uma caminhada-conversa que procura «ler Odemira através das suas encruzilhadas». Culturas híbridas, pensamento decolonial e cidadania orientam um percurso em que, segundo a mesma fonte, «caminhar se transforma numa oportunidade para escutar, questionar e imaginar outras formas de habitar os lugares».
O programa inclui ainda conversas sobre as relações entre arte e ciência, paisagem e espaço público, a instalação «(enlaça o ficar!)», de Carlos Noronha Feio, e, para diferentes gerações, as oficinas-performance «PartyLab» e «Música das Esferas», de Álvaro Valls. Na música, Adam Ben Ezra apresenta no terminal rodoviário de Odemira um concerto a solo construído a partir do contrabaixo, voz, efeitos e loops.
A Bienal acolhe também o Encontro Internacional de Programadores e Curadores, que junta profissionais nacionais e estrangeiros para conhecerem «o ecossistema artístico de Odemira» e estabelecerem novas relações com artistas e coletivos do território. A edição zero marca ainda o lançamento da Bolsa Internacional de Criação Artística Madalena Victorino, apresentada na sessão de abertura.
A aposta na criação coletiva passa por um conjunto de residências artísticas que, indica a Câmara, «articularão os conhecimentos do território com o pensamento contemporâneo internacional», entendendo as comunidades «como os lugares centrais da experiência cultural».
Para Hélder Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Odemira, a Bienal «inaugura uma das bases estratégicas e é um dos pilares da nossa proposta de ação política». O autarca descreve-a como «um exercício criativo de cerzir os dois pensamentos distintos que estão no centro da cultura e da ciência, permitindo gerar mais valor e mais conhecimento aplicado que contribua para o aumento da qualidade de vida e atratividade do território».
A participação é gratuita, estando algumas atividades sujeitas a inscrição prévia ou à lotação dos espaços. O programa completo está disponível nos canais oficiais da Bienal.










