Évora é o distrito da região com mais ocorrências em 2026: oito de abandono e 17 de morte e maus-tratos, contabilizadas até 31 de agosto, contra sete e 16 em todo o ano de 2025. Seguem-se Beja, com 11 e 12, respetivamente, e Portalegre, onde se registaram seis casos de abandono e 13 de maus-tratos ou morte.
No conjunto dos três distritos, a GNR registou 91 casos em 2024 (34 de abandono e 57 de morte e maus-tratos) e 98 em 2025 (37 e 61).
O aumento concentrou-se em Beja, onde as ocorrências de morte e maus-tratos passaram de 21 para 31 e as de abandono de 12 para 19.
Desde janeiro de 2024 somam-se na região 256 ocorrências comunicadas à GNR nos três distritos alentejanos. Se somarmos o de Setúbal, que integra diversos concelhos da região, o número duplica, passando para o registo de 513 casos investigados.
No mesmo período, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR realizou 1.786 ações de fiscalização nos distritos de Beja, Évora e Portalegre, sendo que também as denúncias feitas através da Linha SOS Ambiente e Território aumentaram na região.
Entre janeiro de 2024 e 6 de setembro deste ano, a linha recebeu 50 denúncias relativas aos três distritos: 44 por abandono de animais de companhia e seis por abandono de animais de pecuária. Só este ano foram 17 as denúncias de abandono de animais de companhia — oito em Beja, seis em Évora e três em Portalegre.
A nível nacional, entre janeiro de 2024 e 31 de agosto de 2026, a GNR realizou 19.191 ações de fiscalização direcionadas à proteção e bem-estar de animais de companhia e de animais perigosos e potencialmente perigosos. No decurso destas intervenções, os militares detetaram 982 ocorrências de abandono e registaram 1.668 casos de morte e maus-tratos a animais.
No mesmo período, a atuação da Guarda permitiu resgatar e recuperar mais de 7.500 animais, incluindo espécies de companhia, pecuária e fauna selvagem. Só nos primeiros seis meses deste ano, a GNR contabilizou 2.888 resgates, que resultaram no encaminhamento de 2.156 animais para centros de recolha oficial dos respetivos municípios ou entidades parceiras e na restituição de cerca de 300 animais selvagens ao seu habitat natural.
A GNR sublinha que «a colaboração ativa dos cidadãos assume um papel determinante na sinalização de situações de negligência e perigo». Em todo o país, a Linha SOS Ambiente e Território registou mais de mil denúncias — 935 relativas ao abandono de animais de companhia e 110 a animais de pecuária —, com os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal a concentrarem o maior volume, o que, segundo a Guarda, confirma «a relevância da denúncia pública célere para a mobilização imediata das patrulhas do SEPNA».
A partir do momento em que os alertas são comunicados, a Guarda «desencadeia uma intervenção estruturada no terreno para fazer cessar eventuais situações de perigo e apurar responsabilidades». A denúncia é encaminhada para as patrulhas ou equipas especializadas do SEPNA, seguindo-se «a avaliação rigorosa da informação recolhida» e a deslocação ao local «para verificação direta das condições do animal e recolha de elementos de prova».
Quando a vida ou o bem-estar do animal estão em risco, «são adotadas medidas urgentes de salvaguarda e proteção», em articulação com os municípios, «a quem compete a captura e recolha», acrescenta a mesma fonte. A intervenção culmina «na instauração do respetivo processo-crime ou contraordenacional para responsabilização dos infratores».
A Guarda fiscaliza também o comércio ilegal de espécies protegidas, no âmbito da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, o SEPNA realizou 315 ações de fiscalização específicas, que resultaram em 265 autos de contraordenação e 24 processos-crime. No Alentejo foram fiscalizados sete animais: seis no distrito de Beja e um no de Évora, em 2025.
No que respeita à fauna selvagem, todas as etapas de recolha, encaminhamento clínico e reintegração na natureza decorrem sob coordenação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), lembra a GNR.










