Linha do Alentejo: Governo admite «constrangimentos» por falta de comboios

O Ministério das Infraestruturas e Habitação reconhece a existência de «constrangimentos na disponibilidade de material circulante ferroviário» na Linha do Alentejo, admitindo que a situação resulta de «um prolongado período de desinvestimento na renovação da frota».

A resposta surge na sequência de uma pergunta apresentada pelo deputado Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, sobre a «degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo, indisponibilidade simultânea da totalidade do material circulante afeto à linha e ausência de plano de contingência da CP».

A pergunta surgiu na sequência de vários problemas na ligação entre Casa Branca e Beja, noticiados pela Alentejo Ilustrado.

Na resposta, o Ministério das Infraestruturas refere que o problema se insere «num quadro mais amplo de défice de material circulante a nível nacional», resultante de «um prolongado período de desinvestimento na renovação da frota», que conduziu à utilização «de material com elevada antiguidade, o qual exige níveis acrescidos de manutenção e, consequentemente, condiciona a sua disponibilidade operacional».

No caso específico da Linha do Alentejo, entre Casa Branca e Beja, o documento aponta uma causa adicional: «o atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve tem vindo a impedir a reafetação de material circulante diesel atualmente afeto àquela linha», o que «limita a flexibilidade na gestão da frota e na programação das intervenções de manutenção, com impacto na oferta disponível».

Quanto à existência de planos de contingência, o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz afirma que a CP «dispõe de mecanismos operacionais para mitigar situações de rutura de oferta, incluindo a reafetação de material circulante entre linhas, a adaptação de horários e, sempre que possível, o reforço de meios alternativos de transporte, em articulação com as entidades competentes».

Sobre a hipótese de aluguer de material circulante, limita-se a referir que «trata-se de uma solução que tem vindo a ser analisada no contexto da gestão global da frota, tendo em consideração as limitações técnicas, operacionais e financeiras associadas».

Para o futuro, o Ministério das Infraestruturas lembra a decisão de «aquisição de 22 automotoras à Stadler e de 153 automotoras à Alstom, destinadas ao reforço e substituição gradual do material circulante existente», prevendo-se que «as primeiras três automotoras bimodo da Stadler entrem ao serviço no primeiro trimestre de 2027, estando prevista a sua alocação à Linha do Alentejo».

Ainda de acordo com a mesma fonte, «a conclusão da eletrificação da Linha do Algarve» está prevista «durante o mês de julho», o que «permitirá uma gestão mais eficiente da frota diesel da CP, contribuindo para o reforço da resiliência operacional dos serviços ferroviários não eletrificados» — e, consequentemente, para libertar algum do material que hoje serve o Algarve para ser reafetado ao Alentejo.

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