“O Governo também propôs ao Presidente da República, que prontamente aceitou, a atribuição do Grande-Colar da Ordem de Camões a António Lobo Antunes”, informa uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Na mesma nota refere-se que o Conselho de Ministros, hoje presidido por Marcelo Rebelo de Sousa, “aprovou o decreto que determina um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será observado no dia 7 de março de 2026”, sábado.
De acordo com a lei, cabe ao Governo decretar o luto nacional, “a sua duração e âmbito, sob a forma de decreto”. O luto nacional é declarado pela morte do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro, bem como de antigos Presidentes da República, podendo ainda ser decretado “pelo falecimento de personalidade, ou ocorrência de evento, de excecional relevância”.
O primeiro-ministro já tinha evocado António Lobo Antunes como “uma figura maior da cultura portuguesa”, defendendo que o seu legado deve continuar a inquietar e a inspirar todos.
“Presto muito sentida homenagem a António Lobo Antunes — figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e, por isso, continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos”, escreveu Luís Montenegro numa publicação na sua conta oficial na rede social X.
Numa nota de pesar publicada na página de internet da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa considera que Lobo Antunes deixa “uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria” e que “ninguém terá sido mais imitado pelas gerações seguintes”.
“Seu leitor, admirador e amigo há décadas, pude em 2022 atribuir-lhe as insígnias da grã-cruz da Ordem de Camões, com a certeza de que poucos representaram tão bem a grandeza literária de um país territorialmente pequeno. Vou agora depositar junto dele o grande-colar da mesma ordem, símbolo máximo da literatura portuguesa”, acrescenta o chefe de Estado.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República












