Governo diz que certificação da Linha Évora-Elvas avança até final de setembro

O Ministério das Infraestruturas e Habitação garante que a Infraestruturas de Portugal (IP) vai submeter até ao final de setembro um conjunto de documentos decisivos para a certificação da Linha Évora-Elvas, troço central do Corredor Internacional Sul (CIS) que liga Sines a Espanha.

 A informação consta da resposta do gabinete do ministro Miguel Pinto Luz a uma pergunta parlamentar do Livre sobre os atrasos na entrada em funcionamento da linha, concluída em janeiro de 2026 com um investimento público de cerca de 460 milhões de euros.

Segundo o ministério, a IP submeterá à Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária (ANSF), «até ao final de setembro», as declarações de verificação intermédia da fase de projeto dos subsistemas de infraestrutura e energia. Este passo é apresentado pela tutela como um marco relevante no processo que ainda falta percorrer até à autorização de entrada em serviço (AES), documento que a IP tem de submeter ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) antes de a linha poder entrar em exploração comercial.

A resposta do Ministério das Infraestruturas detalha o trabalho já realizado pelo gestor da infraestrutura. «A IP tem vindo a realizar diversos testes dinâmicos, recorrendo a meios próprios e a consultoria especializada, incluindo ensaios de geometria de via, de catenária e de carga em pontes», refere o a mesma fonte, acrescentando que se encontra igualmente em curso o processo de certificação da interoperabilidade, outra peça obrigatória antes de a ANSF poder validar a entrada em serviço da linha.

Questionado pelo Livre sobre eventuais «constrangimentos técnicos, administrativos ou financeiros» a atrasar o processo, o Ministério das Infraestruturas não os nega, mas contextualiza-os. Segundo a tutela, «o Governo tem assegurado à IP todas as condições necessárias para o lançamento dos procedimentos de contratação das certificações». O atraso, explica, resulta sobretudo de fatores externos ao controlo direto do Estado português.

O primeiro prende-se com a escassez de empresas certificadoras acreditadas no setor ferroviário. «A contratação de entidades externas independentes, acreditadas no setor ferroviário de acordo com a regulamentação aplicável, tem-se revelado mais demorada do que inicialmente previsto devido à escassez destas entidades em Portugal e à crescente afetação de empresas estrangeiras a processos semelhantes, promovidos pelas suas congéneres ferroviárias no âmbito dos investimentos em curso na Europa», afirma o gabinete de Miguel Pinto Luz, sublinhando que Portugal está a competir por recursos técnicos escassos com outros grandes projetos ferroviários europeus em curso.

A este constrangimento soma-se um segundo, de natureza bem diferente: furtos e atos de vandalismo em equipamentos já instalados ao longo da linha, conforme noticiado pela Alentejo Ilustrado.

Quanto ao impacto do calendário sobre o tráfego de mercadorias — outra das preocupações do Livre —, o gabinete de Miguel Pinto Luz garante que o atraso não está a condicionar os projetos industriais na área de Sines, apontados como os principais geradores de procura para o novo corredor.

Até à entrada em serviço desta ligação, os tráfegos com destino a Espanha continuam a seguir pela Linha do Leste, «nas condições atualmente existentes». Quando a exploração arrancar, promete o ministério, «a nova ligação permitirá reduzir o itinerário Sines–Elvas (Fronteira) em cerca de 140 km e realizá-lo integralmente com tração elétrica, proporcionando ganhos significativos de eficiência operacional e ambiental».

MAIOR OBRA FERROVIÁRIA

A Linha Évora-Elvas custou cerca de 460 milhões de euros e integra o Corredor Internacional Sul, cujo investimento global ronda os 650 milhões, ligando o porto de Sines à fronteira espanhola de Caia. Com 80 km de via nova e eletrificação total, reduz em 140 km o trajeto de mercadorias até Espanha, aumentando a capacidade diária de saída de comboios de Sines. É apontada pelo Governo como a maior obra ferroviária portuguesa em mais de um século, reforçando a competitividade logística nacional.

2 Responses

  1. Pelos vistos é apenas uma certificação parcial. Fica em falta a do sistema de sinalização e de comando e controlo da circulação.
    Com o pagode do costume a roubar a catenária instalada mas não activada.
    E com a CP restrita a continuar o serviço de passageiros pela linha do Leste.
    Óptimo para quem não quiser ir a Espanha…

    1. A catenária está em tensão talvez há um ano! Essa desculpa de furtos, etc… Já foi utilizada para justificar o atraso na conclusão da linha do Algarve e outras!

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