Governo formaliza 900 mil euros para desalojados da Barrosinha, em Alcácer

O Governo formalizou um apoio de cerca de 900 mil euros para assegurar o alojamento temporário de 17 agregados familiares, num total de 28 pessoas, desalojados na Herdade da Barrosinha, em Alcácer do Sal, devido às cheias do rio Sado.

O montante permitirá ao município adquirir módulos habitacionais onde as famílias ficarão instaladas até estarem concluídas as obras nas casas afetadas. As candidaturas para essa recuperação, explicou o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, «já estão aprovadas» pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, pelo que «a obra tem que entrar em execução».

Os módulos ficarão depois na posse da Câmara de Alcácer do Sal, permitindo ao município dispor de «uma solução provisória» para futuras situações de emergência ou calamidade.

Silvério Regalado revelou ainda que o concelho «já recebeu cerca de 20 milhões de euros de apoios do Estado» para responder aos prejuízos provocados pelas cheias associadas à tempestade Kristin. Deste montante, «cerca de 800 mil euros» foram alocados a «92 candidaturas à primeira habitação» e «cerca de 13 milhões de euros» a «linhas de crédito do Banco Português de Fomento».

Foram igualmente atribuídos «2,2 milhões do Fundo Ambiental» para «intervenções de limpeza e reforço de margens» e «cerca de 600 mil euros de adiantamento do Fundo de Emergência Municipal», precisou.

O Governo destinou também «cerca de um milhão de euros através da antecipação do duodécimo do FEF [Fundo de Equilíbrio Financeiro] e do Fundo Social Municipal», revelou Sérgio Regalado, acrescentando que a estes valores junta-se ainda «cerca de um milhão de euros em apoios às empresas, nomeadamente para manutenção de postos de trabalho e isenções à Segurança Social».

No entender do governante, trata-se «de uma tipologia de resposta muito alargada» que engloba «empresas, tecido económico e a autarquia local».

Sobre os cerca de 80 milhões de euros de prejuízos em equipamentos municipais estimados pela autarquia, o secretário de Estado salientou que este montante corresponde a uma recuperação de médio e longo prazo, sendo que muitas obras ainda «estão em fase de projeto».

E exemplificou com o apoio à reconstrução da Biblioteca Municipal, «que também foi gravemente afetada» pelas cheias e cuja intervenção será financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, encontrando-se a «obra ainda em fase de projeto».

Além da «resposta imediata que já foi dada», o Governo vai adequar a «resposta de médio prazo», através do Fundo de Emergência Municipal, e «uma resposta de longo prazo através do PTRR», com medidas para aumentar a resiliência dos territórios, sublinhou.

A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, salientou que o município tem ainda «muito trabalho por fazer e muito por recuperar», nomeadamente na Biblioteca Municipal, na margem sul da cidade e na estabilização da encosta do castelo.

E voltou a reivindicar um apoio mais direto aos pequenos comerciantes afetados pelas cheias, que, além das medidas relativas à perda de rendimento, lay-off e da Segurança Social, tiveram de recorrer às «economias pessoais» para recuperar os negócios.

«Houve ali uma fase em que eu acho que nos sentimos um pouco abandonados», afirmou, acrescentando que, atualmente, existe «uma presença muito constante e um acompanhamento constante» do Governo.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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