Governo promete solução para dívidas do INEM aos bombeiros

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu hoje, em Ponte de Sor, que o Governo vai encontrar “nos próximos dias” uma solução para resolver as dívidas do INEM às corporações de bombeiros, assegurando que o socorro não será afetado.

Luís Neves afastou a existência de qualquer rutura entre a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

«Quero dizer uma palavra de grande conforto aos portugueses, que não vai deixar de haver socorro e o Governo, nos próximos dias, encontrará uma solução para resolver a questão colocada pela Liga dos Bombeiros Portugueses», afirmou.

O governante reagia à decisão, aprovada hoje por unanimidade pelo Conselho Nacional da LBP, de rescindir o acordo de cooperação assinado em 2025 com o INEM para a prestação de socorro pré-hospitalar.

A decisão foi anunciada pelo presidente da LBP, António Nunes, que indicou que o valor em dívida às corporações de bombeiros ronda os 20 milhões de euros.

Em resposta, o Instituto Nacional de Emergência Médica invocou a «necessidade de reforço orçamental» próprio para justificar a existência de dívidas aos bombeiros pela assistência pré-hospitalar prestada pelas corporações, garantindo estar disponível para dialogar.

«O INEM reconhece a existência de valores em regularização no âmbito da execução do acordo com os seus parceiros, situação que decorre da necessidade de reforço orçamental do Instituto, o que será resolvido por via da revisão orgânica em curso», indica um esclarecimento deste organismo.

Questionado sobre a decisão da LBP em relação ao acordo com o INEM, o governante disse já ter falado com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre a questão das dívidas do INEM.

«Os bombeiros são absolutamente insubstituíveis», realçou Luís Neves, defendendo que é necessário que o Governo encontre uma solução «de financiamento e de pagamento relativamente ao trabalho que prestam, sobretudo no transporte de doentes urgentes ou não urgentes».

«O que eu quero dizer, em nome do Governo, é que nós vamos falar no mais curto espaço de tempo possível para resolver essa questão», reiterou, argumentando que «não é admissível, de facto, encontrar-se aqui dívidas que põem em causa a sustentabilidade das corporações e das associações humanitárias» de bombeiros.

Referindo compreender a decisão tomada pela LBP, Luís Neves insistiu, nas declarações aos jornalistas, na necessidade de tranquilizar a população em relação ao socorro.

«Nenhum português deixará de ter o socorro que até ontem tinha e que até hoje tem», o que «é essencial», sublinhou, acrescentando que este tema deve ser tratado «com a elevação que merece».

Num esclarecimento enviado, o INEM invocou hoje a «necessidade de reforço orçamental» para justificar a existência de dívidas aos bombeiros pela assistência pré-hospitalar prestada pelas corporações, garantindo estar disponível para dialogar.

«O INEM reconhece a existência de valores em regularização no âmbito da execução do acordo com os seus parceiros, situação que decorre da necessidade de reforço orçamental do Instituto, o que será resolvido por via da revisão orgânica em curso», referiu o organismo.

Questionado em Ponte de Sor pelos jornalistas, após as declarações de Luís Neves, o presidente da LBP disse acreditar que o Ministério da Administração Interna «pode ser um bom interlocutor junto do Ministério da Saúde para acompanhar» as «necessidades» das associações humanitárias de bombeiros.

«E, naturalmente, acreditamos, nestes 120 dias, que seja possível voltar à mesa das negociações. O que nós não podemos permitir é que haja duas entidades de boa-fé que assinem um determinado protocolo de entendimento e que, depois, as duas partes não cumpram literalmente esse protocolo», vincou.

Instado sobre o esclarecimento do INEM, António Nunes não o quis comentar, mas confirmou que, assegurando que o socorro às populações vai continuar a ser prestado, a LBP está disponível para dialogar rumo a um novo acordo com o INEM, mas «a carta de rescisão [do atual protocolo] segue na segunda-feira».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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