Grândola: Carneiro mostra casas prontas há dois anos que o Governo não entrega

Dez casas financiadas pelo PRR estão fechadas há quase dois anos em Azinheira dos Barros, no concelho de Grândola, à espera que o Instituto de Segurança Social (ISS) e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IRHU) definam o modelo de financiamento: facto que o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, foi hoje confirmar no local.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, deslocou-se esta quarta-feira a Azinheira dos Barros para demonstrar que disse a verdade quando afirmou que o Governo tinha casas prontas a habitar e que não as entregava. Acompanhado por deputados e autarcas, visitou algumas das dez casas construídas com verbas do PRR que estão fechadas naquela povoação no concelho grandolense: «vi que houve uma sofreguidão para tentar desmentir aquilo que eu tinha afirmado. Como se vê, aquilo que eu tinha afirmado é factual», declarou aos jornalistas.

No discurso de encerramento das jornadas parlamentares do partido, na terça-feira, Carneiro afirmara que o Governo tinha casas prontas a habitar mas não as entregava, sugerindo que o Executivo aguardava «um novo ciclo eleitoral». Esta quarta-feira esclareceu que na véspera colocou uma pergunta: se o Governo espera que «o povo se esqueça de que foram obras planeadas, lançadas, executadas pelos governos do PS» ou se está «à espera por algum ato eleitoral» para as entregar. «Em qualquer circunstância, isto seria inadmissível, inaceitável e merece, naturalmente, o nosso repúdio», reiterou, frisando que se deslocou a Azinheira dos Barros «de propósito para mostrar» que o que afirmou «é um facto» e que «o Governo não pode invocar desconhecimento». Os deputados do PS Nuno Fazenda e André Pinotes Batista, que o acompanharam, já levantaram este assunto várias vezes na Assembleia da República, acrescentou. O secretário-geral do PS assinalou ainda que existem outros casos semelhantes no país, «não apenas habitações, mas também equipamentos sociais».

O presidente da Junta de Freguesia de Azinheira dos Barros, Pedro Ruas, eleito pelo PS, precisou que as dez moradias unifamiliares — com tipologias T1, T2 e T3, num investimento de 1,5 milhões de euros — «estão concluídas desde outubro de 2024». O ISS e o IHRU «não conseguem identificar» junto da junta, dona da obra, «qual será o uso destas casas», que «continuam fechadas há quase 24 meses», explicou. As habitações «foram construídas, numa primeira fase, para a autonomização de vítimas de violência doméstica e de tráfico de seres humanos», com gestão a cargo da Fundação Padre Américo e da APAV. Segundo Pedro Ruas, a autarquia aguarda desde outubro de 2024 que o ISS e o IHRU definam o modelo de financiamento, tendo-lhe sido indicado há cerca de um mês que «a solução possível é a transição das casas da Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário para o [programa] 1.º Direito, porque é a única forma de se cumprirem as metas do PRR».

Texto: Alentejo Ilustrado c/Lusa
Fotografia: D.R.

Uma resposta

  1. Se as casas foram construidas com um objetivo claramente defenido ,como afirmou o sr. Pr. da junta
    , que alias tem toda a justificacao porque nao mantelo.?

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