«O primeiro-ministro fez hoje o que faz melhor, muita propaganda, muita venda de ilusões, muitas promessas. Tenho que ser justo, não bateu o hit deste verão», disse o líder comunista, em Grândola.
Em declarações aos jornalistas, durante uma visita à Feira de Agosto, Paulo Raimundo lembrou que «o hit deste verão» foi quando o chefe do Governo, Luís Montenegro, «disse que [o país] ia entrar na REN e que os preços de eletricidade iam baixar».
No seu discurso de hoje, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Montenegro «não conseguiu ir tão longe, não conseguiu bater esse seu hit de verão», ironizou o líder do PCP, segundo o qual, «no meio de todas aquelas promessas, daquela propaganda, a questão grossa que ficou nas entrelinhas chama-se a alteração da carreira docente dos professores».
«Essa é que é a questão, o resto é para coisas que vão para o teto, são promessas, ideias. A questão grossa é a alteração da carreira docente dos professores, tal como sempre alertámos», sublinhou.
Questionado sobre se o primeiro-ministro deveria ter falado de outros assuntos, o secretário-geral do PCP respondeu que Luís Montenegro «falou daquilo que entendeu» e que, como o próprio chefe do Governo aludiu no discurso, «é tão democrático falar de uma maneira como falar de outra».
«Fez aquilo que faz melhor, propaganda, ilusão, venda de promessas e uma linha concreta, neste caso, de atacar diretamente os professores e a sua carreira docente», argumentou Paulo Raimundo, segundo o qual o «esquema do Governo era primeiro o Código de Trabalho, alteração à legislação laboral, a seguir vinha a alteração às leis de legislação laboral na administração pública, está aí, e depois a seguir era a Segurança Social».
Tal como no passado domingo, em Fronteira, em que desafiou o Governo a fazer alterações à Segurança Social, também hoje o líder do PCP deixou o mesmo repto no que respeita aos professores e respetiva carreira docente. «O Governo que se atreva, eu volto a dizer, que se atreva», disse, lembrando que o Governo «já foi derrotado» no pacote laboral.
E o primeiro-ministro, avisou o líder comunista, «tem a responsabilidade de se lembrar bem o que é que aconteceu ao governo em 2015, quando tentou fazer a redução de taxa social única para as entidades empregadoras».
«Começou a cavar a sua derrota política e social e vai fazer o mesmo», afiançou Paulo Raimundo, considerando que o atual Governo PSD/CDS-PP «está com muita pressa, mas vai dar um passo maior que a perna se tentar fazer isso».
O secretário-geral do PCP afirmou que «o problema não é apenas o Governo», mas também a sua política, que também é responsabilidade da oposição, nomeadamente do PS, que viabilizou o anterior Orçamento do Estado «e, pelos vistos, parece que está disponível para voltar a fazer o mesmo».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.










