Greve geral: sindicato espera impacto significativo nos transportes públicos

O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal manifestou “boas expectativas” quanto à adesão no Alentejo à greve geral desta quinta-feira, prevendo impacto nas carreiras urbanas e intermunicipais e alertando para os efeitos do pacote laboral proposto pelo Governo sobre a profissão de motorista.

“Após o contacto que tivemos com os trabalhadores na sexta-feira, em que explicámos o perigo de o pacote laboral ser aprovado, estamos com boas expectativas” sobre a adesão para a região do Alentejo, diz Bruno Pires, dirigente do STRUP.

Segundo o mesmo sindicalista, coordenador da delegação de Setúbal daquele sindicato e que assegura a cobertura dos distritos alentejanos de Évora, Beja e Portalegre, “o impacto da greve geral vai notar-se”.

“Temos boas expectativas para o distrito de Beja. Évora é mais complicado porque a realidade é outra e para Portalegre também estamos com boas expectativas”, assegura.

Para a profissão de motorista, as medidas que mais afetam estes trabalhadores no pacote laboral proposto pelo Governo são “o banco de horas individual” e “a questão do despedimento sem justa causa pelas empresas”, alegou o dirigente sindical.

“São fatores que, a serem aprovados, vão levar um motorista a ter um ordenado base muito baixo e a perdas de vencimentos”, argumenta Bruno Pires.

Segundo o dirigente sindical, “com a falta de motoristas que há em serviços públicos, os motoristas fazem muito trabalho extraordinário e as empresas, depois, podem utilizar os bancos de horas individuais e mandar o trabalhador para casa como se estivesse de férias, quando há menos serviço”.

Bruno Pires explica que através da concessão do serviço de transporte rodoviário coletivo por parte das comunidades intermunicipais à Rodoviária do Alentejo, foram criadas diversas empresas.

“Mas os motoristas são quase todos da Rodoviária do Alentejo, estão é cedidos a essas empresas”, revela, afirmando esperar que adiram à greve “os motoristas das [carreiras] urbanas”, que existem por exemplo nas capitais de distrito, e “os das empresas intermunicipais”.

Os serviços “são quase todos assegurados só por um motorista” e, se este, “de manhã, não pegar ao serviço, automaticamente essa linha não é feita e não vai haver ligações com outras linhas”, perspetivou, ressalvando que, no que toca à Rede Expressos, “é muito mais difícil” haver uma adesão elevada à greve geral.

Por sua vez, a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central e a Câmara de Évora referem que têm contratos de concessão dos transportes com a Rodoviária do Alentejo, pelo que possuem apenas uma ação fiscalizadora do cumprimento desses mesmos contratos, não de gestão.

Fonte da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo avança, por sua vez, que a concessão dos transportes está entregue à Rodoviária do Alentejo e que, até hoje, a empresa não tinha comunicado aos autarcas se vão ou não ser decretados serviços mínimos.

Finalmente, o presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, diz que a autarquia não solicitou serviços mínimos para os transportes urbanos, não possuindo “expectativas em relação à adesão” à greve geral. 

A greve geral de quinta-feira contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.

As alterações previstas na proposta do Governo de reforma da legislação laboral visam várias áreas, como a parentalidade, despedimentos, alargamento dos prazos dos contratos e setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

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