UÉvora: Hermínia Vilar quer consolidar crescimento e reforçar ligação ao território

Hermínia Vilar, reitora da Universidade de Évora há quatro anos, recandidata-se ao cargo com o objetivo de concluir projetos iniciados e lançar novos desafios, apontando o reforço do ensino, da investigação, da ligação ao território e das infraestruturas como prioridades para o próximo mandato.

Ana Luísa Delgado (texto)

Quais as razões que a levam a recandidatar-se?

São várias, naturalmente, mas destacaria, antes de mais, a vontade de concluir um conjunto de projetos iniciados ao longo destes quatro anos e de lançar novos desafios. Ao longo deste mandato desenvolvemos diversas iniciativas com indicadores positivos, quer ao nível do ensino, quer da investigação, quer ainda da ligação ao território, que importa aprofundar. Entendi, por isso, que fazia sentido recandidatar-me, por um lado para finalizar projetos em curso e, por outro, para lançar novos desafios que considero que a Universidade de Évora está em condições de enfrentar e superar.

Quais devem ser as prioridades estratégicas para os próximos quatro anos?

Nos últimos quatro anos definimos dois princípios orientadores, a partir dos quais estruturámos vários objetivos. O primeiro foi a promoção de uma política de diálogo com a academia. Procurei manter sempre uma postura de proximidade, com disponibilidade para ouvir toda a comunidade académica, promovendo uma cultura de partilha e transparência. O segundo foi o reforço da ligação ao território. A Universidade é um elemento central no desenvolvimento do território, neste caso do Alentejo, sem perder a sua dimensão e reconhecimento internacional.
Estes dois eixos mantêm-se para um eventual segundo mandato.

E quanto a desafios concretos?

Destacaria três grandes áreas. Em primeiro lugar, o ensino. Temos tido uma procura crescente por parte dos estudantes e queremos consolidar esse crescimento, diversificando simultaneamente os públicos, muitas vezes pessoas já inseridas no mercado de trabalho, sem descurar a valorização dos cursos de primeiro, segundo e terceiro ciclos, que têm tido uma procura muito importante nos últimos quatro anos e que devemos continuar a valorizar. Nos últimos anos abrimos novas formações, nomeadamente nas áreas da saúde e da ciência de dados, e pretendemos reforçar essa aposta. Ainda nesta área, a inovação pedagógica assume hoje particular importância. Temos vindo a desenvolver um conjunto de formações nesta área e temos de continuar esse caminho, pois, hoje em dia, ser docente implica novos desafios e exige adaptação constante às necessidades dos estudantes, pelo que é fundamental continuar a investir na formação pedagógica.

A segunda área?
Na área da investigação, temos tido um aumento do número de projetos em execução e também dos valores desses projetos, mas temos de continuar nesse caminho e, sobretudo, flexibilizar os procedimentos, tentar diminuir a burocracia dentro do que são as normas legais e dar mais apoio aos nossos investigadores. O outro grande desafio é, obviamente, o campus. Temos um campus muito disperso, com muitos edifícios já antigos, que precisamos de requalificar, mas também precisamos de construir novos edifícios, com destaque para a Escola de Saúde, bem como para a área do desporto, que queremos associar a essa escola, e ainda outros novos edifícios, como uma nova residência para estudantes. Também um edifício para as artes, nomeadamente para a música, também é uma prioridade, bem como a requalificação de edifícios que já temos, como o Luís António Verney e o Santos Júnior. 

Projetos que já foram anunciados.

Existe já uma estratégia definida para o desenvolvimento do campus e essa será muito importante nos próximos anos. Importante será também, nos próximos quatro anos, pensarmos na reorganização interna da Universidade. Teremos, com certeza, de rever os estatutos à luz do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, e é importante que aproveitemos essa oportunidade para agilizar a Universidade e refletir sobre o nosso organograma interno. E, claro, continuar — se me permite acrescentar mais um objetivo — a política de rejuvenescimento do nosso corpo docente e investigador, procurando criar vínculos mais estáveis e diminuir a precariedade, tanto dos investigadores como dos docentes convidados. Devemos também continuar a investir na formação e capacitação dos trabalhadores não docentes e, naturalmente, reforçar esse corpo de funcionários. Por último, os estudantes: não só a questão da residência, que é absolutamente crucial, mas continuarmos a apoiá-los na área da saúde mental e do apoio social, que é cada vez mais importante.

Falou da investigação. Como é possível aumentar a captação de financiamento competitivo?

Temos tido um aumento do número de projetos e também do valor desses projetos. Ou seja, temos vindo a aumentar o nosso orçamento ligado à investigação. Neste momento, cerca de 50% do nosso orçamento está associado à investigação, pelo que o caminho é continuar este trabalho. Os dados mostram que o número de candidaturas por parte dos nossos docentes e investigadores continua a aumentar, assim como o número de projetos aprovados. Mas é também necessário facilitar a apresentação dessas candidaturas, capacitando os serviços para que possam apoiar mais os docentes e investigadores, libertando-os da componente burocrática e permitindo-lhes concentrar-se na vertente científica. Dessa forma, poderemos aumentar ainda mais o número de candidaturas a financiamento competitivo, seja a nível regional, nacional ou internacional, nomeadamente europeu. Na verdade, este é um percurso que temos vindo a consolidar nos últimos quatro anos e o número de candidaturas tem efetivamente aumentado.

Quanto aos estudantes, que estratégias propõe para aumentar a procura e combater a tendência demográfica da região?
Nos últimos concursos nacionais de acesso, fomos das chamadas universidades do interior aquela que menos problemas teve. Praticamente preenchemos as vagas no primeiro ciclo e não registámos menos colocações do que nos anos anteriores. Também no segundo e terceiro ciclos temos mais alunos inscritos. Neste momento, contamos com cerca de 9.300 estudantes nestes três ciclos de estudo, o que é um número muito positivo. O essencial é criar condições. Por um lado, condições de apoio, nomeadamente ao nível do alojamento — daí a importância que dou à construção de uma nova residência, com cerca de 200 camas, que queremos concretizar. Por outro lado, como referi, é importante reforçar o apoio na área da saúde mental e do apoio social, uma vez que sabemos que alguns estudantes enfrentam dificuldades. É também fundamental melhorar o acolhimento de estudantes internacionais. Já temos um gabinete que os enquadra, mas vamos avançar com a criação de um centro CLAIM, que facilitará a integração destes estudantes, nomeadamente oriundos de países de língua portuguesa, mas não só.

E, depois, é preciso reter talento.

Para reter o talento que formamos, é necessária uma estratégia integrada, envolvendo não só a Universidade, mas também as câmaras municipais, as empresas e outros agentes do território. A articulação com o tecido empresarial é fundamental para criar oportunidades de emprego e condições de fixação dos jovens. Temos vindo a realizar todos os anos uma feira do emprego, com uma procura crescente por parte das empresas, e essa é uma forma concreta de mostrar aos nossos jovens que existem oportunidades no Alentejo e possibilidades de integração no mercado de trabalho.

Caso seja reeleita, peço-lhe que me indique duas decisões concretas para reforçar a competitividade da Universidade de Évora?

Em primeiro lugar, avançar com a reorganização interna da Universidade, tanto ao nível da sua estrutura como dos serviços, de forma a flexibilizar e melhorar os fluxos de funcionamento. Em segundo lugar, temos vindo a investir claramente na ligação com as empresas, pelo que reforçaria essa ligação. Criámos o Conselho de Extensão à Comunidade e o Colégio de Transformação e Liderança, mas é necessário ir mais longe. Diria, por exemplo, multiplicar a presença dos estudantes em contexto empresarial, nomeadamente através de doutoramentos em ambiente não académico e do reforço dos estágios, facilitando assim a sua integração e fixação no território. Permita-me acrescentar outra questão importante para a competitividade: é fundamental reforçar a estratégia de comunicação da Universidade. Temos vindo a investir nesse domínio, mas é necessária uma estratégia muito mais robusta de comunicação do que fazemos e do que somos, porque a Universidade de Évora desenvolve muito trabalho que ainda precisa de maior visibilidade.

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