A história começou com uma suposta fuga — e terminou com um pedido de desculpas. O hospital de Portalegre garantiu que um homem de 32 anos, baleado à entrada de um hipermercado, tinha abandonado a unidade de saúde antes de ser operado. Horas depois, a mesma instituição veio dizer exatamente o contrário: o doente nunca saiu.
A primeira versão foi avançada pelo porta-voz da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, Ilídio Pinto Cardoso, que assegurou que o homem não chegou a ser intervencionado «porque fugiu». A informação incluía ainda a comunicação às autoridades e a indicação de que a saída teria ocorrido ao final do dia anterior.
Mas a narrativa não resistiu ao teste do tempo — nem ao da verificação interna.
Num comunicado posterior, a própria ULS veio reconhecer «um erro na identificação do utente», admitindo que tinha transmitido «de forma errada a saída voluntária» do hospital. A instituição acabou por esclarecer que o homem baleado «continua internado no serviço de observação, aos cuidados do corpo clínico» e que «a pessoa que abandonou voluntariamente o hospital nada tem que ver com a situação do tiroteio».
Pelo meio, ficou um raro exercício público de descoordenação institucional: o mesmo hospital que garantiu uma fuga veio depois assegurar que essa fuga nunca existiu.
O caso remonta a segunda-feira, quando o homem foi atingido a tiro à entrada de um hipermercado em Portalegre, na sequência de uma desavença. Segundo a PSP, o suspeito terá efetuado cinco disparos e colocou-se em fuga. A vítima sofreu ferimentos na anca e num braço, mas foi considerada fora de perigo.
Se o episódio policial já era grave, o capítulo hospitalar acrescentou-lhe um tom insólito. Entre a fuga que nunca aconteceu e o erro assumido, a comunicação oficial acabou por transformar um caso clínico num exercício de confusão pública — com direito a versão inicial, reviravolta e desmentido final.










