Para o coordenador da Iniciativa Liberal (IL) em Évora, Rodrigo Mendonça, a situação atingiu níveis incompatíveis com o estatuto que a cidade pretende afirmar no contexto da Capital Europeia da Cultura em 2027.
“Chegámos ao ponto de olhar para a capacidade de ir do ponto A ao ponto B em Évora como um luxo. É o mínimo básico que se pode oferecer num país desenvolvido garantir que um cidadão chega ao trabalho, à escola ou a uma consulta médica em segurança. O que se vive hoje em Évora já passou há muito a normalidade”, afirma.
Para além das condições do piso, a estrutura local da IL questiona ainda o desfasamento nos horários da iluminação pública.
Segundo o partido, têm sido reportadas situações em que, durante o inverno, algumas variantes e acessos a equipamentos como a estação ferroviária e a rodoviária permanecem sem iluminação cerca das 07h30 e das 18h00, períodos em que se verifica maior fluxo de circulação na cidade.
“Alguém tem de explicar aos eborenses porque é que algumas das principais zonas da cidade estão às escuras quando muita gente sai de casa para o trabalho ou regressa para casa à tarde. Estas questões são graves, porque envolvem a segurança dos cidadãos. Conduzir à chuva em estradas cheias de buracos, e ainda por cima sem luz, é uma questão de segurança pública que tem de ser resolvida sem desculpas”, reforça Rodrigo Mendonça.
No pedido enviado ao Município, a Iniciativa Liberal solicita esclarecimentos sobre o planeamento da autarquia para a sinalização e reparação urgente dos pontos considerados críticos, bem como sobre a eventual existência de um plano de requalificação estrutural das principais artérias da cidade previsto para este ano.
Rodrigo Mendonça defende ainda que “a menos que a cidade seja alvo de uma intervenção profunda, a primeira imagem de quem visitará a Capital Europeia da Cultura em 2027 será a de uma cidade abandonada”.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.













Uma resposta
A manutenção da qualidade dos arruamentos e vias de forte circulação nunca foi objeto de preocupação da CMÉvora e dos seus serviços técnicos, tirando os mandatos liderados pelo Dr. José Ernesto.
No seu mandato a estrada da Igrejinha foi alvo de uma obra de recapeamento do seu piso, com a devida pintura realizada com tinta adequada para asfalto.
E outras vias igualmente mereceram a intervenção através de contratos de empreitada.
As administrações que lhe sucederam encontraram no argumento do endividamento, a solução prosaica para pouco ou nada fazerem. Mas pior, o que fizeram nunca teve a necessária qualidade, apesar de terem sido sempre intervenções pontuais. A câmara até adotou um princípio de legalidade duvidosa e que é a de autorizar que os remendos consequentes das ligações às redes sejam feitas pelas empresas particulares pagas pelos requerentes dessas ligações, quando no espaço público apenas as administrações oficiais o devem fazer.
Esta nova administração está assim confrontada com o resultado não só desta continuada pluviosidade mas igualmente pelo resultado da falta de manutenção. E o pior é que, a juntar ao que já se sabe, nem tem os serviços municipais de obras, estruturados e dimensionados para a enorme área urbana da cidade que é atravessada por milhares de viaturas, com a enormíssima percentagem de veículos pesados de cargas diversas, que são os principais destruidores dos tapetes asfálticos e também das depressões nos pavimentos mais resistentes em empedrado granítico.
Sucede que sem serviços operativos bem formados e bem equipados, não é uma operação imediata, aproveitando a brandura da suspensão da forte precipitação, desde logo tapando as crateras que se criaram por estas razões atmosféricas anormais e de uso circulatório intensivo.
É bom lembrar-mo-nos que a maior percentagem do IUC deveria ter como destino estas obras, para isso o IUC foi criado – no tempo de Marcelo Caetano. Mas essa receita na sua maior percentagem é submissa para outros fins.
Já dirigi os serviços técnicos da cidade de Portalegre, onde a pluviosidade é muito maus intensa que a de Évora e a solução para termos tido uma cidade e estradas e caminhos esburacados, foi a constituição de brigadas de reparações que trabalhavam com viaturas equipadas para a realização desses trabalhos e que em tempos de chuvas e neve, sempre com a boa colaboração da estrutura municipal e seus trabalhadores, se conseguiu dar resposta a muitas situações similares às que agora se suportam em Évora.
Mas também é importante dizer que os serviços de obras estavam dotados de uma estrutura que fazia escola e vinha em continuidade da alternância política porque Portalegre tem passado, mas sempre numa linha condutora coerente com as necessidades. Muito importante, ao tempo, a proficiência do Encarregado Geral, o Senhor Grilo, e dos 4 Sub-encarregados e, obviamente, da equipa de engenheiros que até nem eram muitos, apenas 3 de engenharia civil e um eletrotécnico. Porém sempre abnegados e disponíveis nos tempos mais complexos.
O Presidente, Dr. João Transmontano e as vereações, independentemente da sua diferenciação política representativa, apoiaram sempre por unanimidade a forma como o município intervinha.
Daí a razão do meu comentário que desejo construtivo e sujeito naturalmente às opiniões que do mesmo se possam concluir.