Estas explicações constam da resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, a uma pergunta que o deputado do PS por Évora, Luís Dias, lhe dirigiu em janeiro.
Segundo a tutela, “a CP não dispõe atualmente de capacidade para reforçar de forma estrutural as composições” do IC na Linha do Alentejo, realizando, sempre que possível, reforços pontuais em “períodos de maior procura (segundas e sextas-feiras)”.
“A operação está limitada pela reduzida disponibilidade de carruagens IC, resultante de indisponibilidades acumuladas e da necessidade de assegurar a oferta nos restantes eixos de maior procura”, argumenta o Governo.
O número médio mensal de passageiros nos serviços IC e Regional foi 39 mil em 2023, 44.300 em 2024 e 55.600 entre janeiro e novembro de 2025, valores que traduzem um aumento de 13% em 2024 e de 25% o ano passado, “o que reflete o impacto do Passe Ferroviário Verde”.
Em meados de janeiro, o deputado Luís Dias questionou o Governo sobre a falta de carruagens de 2.ª classe no serviço IC entre Lisboa e Évora, alertando que os utilizadores enfrentam dificuldades para marcar viagens.
O parlamentar relatou então que “muitos utilizadores não conseguem marcar a sua viagem ou conseguem marcar a viagem de ida, mas não a de regresso” e “são obrigados, apesar de deterem passe, a comprar viagens simples para conseguirem usar o comboio”.
Nesta resposta, o Ministério das Infraestruturas e Habitação revela que, quanto a novos comboios, as unidades que “serão afetadas ao serviço da Linha do Alentejo são as do concurso de aquisição de 22 automotoras Stadler”, concretizado pela CP em 2020.
“A primeira unidade bimodo [diesel e elétrica] já se encontra no país para início do processo de homologação”, realçou, indicando que “as restantes serão entregues de forma faseada ao longo de 2026 e 2027”.
De acordo com a tutela, a CP planeia colocar estes novos comboios a circular nas Linhas de Alentejo, Oeste e Tomar: “As características técnicas, nomeadamente das unidades bimodo, considerando que o troço Casa Branca – Beja ainda não está eletrificado, são particularmente adequadas ao serviço no Alentejo, beneficiando os utilizadores dos distritos de Évora e Beja”.
Na resposta, o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz salienta ainda que a CP está a “avaliar a possibilidade de integrar mais carruagens Arco” nos serviços Intercidades, com vista a “reforçar a frota de longo curso e melhorar a capacidade e fiabilidade da oferta”.
Estas composições estão a ser modernizadas em oficina, prevendo-se que no final de março fique “concluído o trabalho de modernização de mais três carruagens Arco, que se juntarão às 26 que já estão ao serviço”.
“A disponibilidade do novo material circulante permitirá em 2027 melhorar a capacidade de resposta da oferta no Alentejo”, conclui.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Gonçalo Figueiredo/Arquivo













6 Responses
Deixem os utentes do passe verde utilizar a carruagem de primeira classe quando as outras estiverem lotadas
Isso é um erro. Desculpe mas não concordo. Clientes de primeira classe não têm de levar com clientes de passe verde.
Goste se ou não, (e eu sou cliente de 2a classe) quem paga mais tem direito ao sossego e não ir misturado com uma data de gente só porque não há lugar.
O problema foi terem deixado o passe verde servir os IC.
Porque não pedem um serviço Regional regular ao longo do dia?
Não só não é solução, como há pessoas a pagar pela primeira classe. Tem ido cheia nas manhãs para Lisboa.
Urge acelerar a reabilitação das carruagens “arco” adquiridas em segunda mão à operadora espanhola RENFE.
Tal trabalho, que está a ser efectuado nas oficinas de Guifões (Porto), permitirá aumentar a actual fraca capacidade das composições “Intercidades”.
Tantas críticas fizeram às carruagens Arco, e agora se não fossem as 26 carruagens que já foram intervencionadas nas oficinas da CP, imagino como estaríamos…enfim!
Nem mais