“Em Alcácer do Sal, temos uma situação muitíssimo crítica a todos os níveis”, diz Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da CCDR do Alentejo para a Cultura, classificando o cenário como “desolador” e assinalando que está ainda tem em curso “um levantamento sistemático do património” afetado pelas inundações e derrocadas provocadas pelas intempéries.
“Tivemos a afetação muito grave de reservas arqueológicas, museu, igrejas e outro património classificado”, diz Ana Paula Amendoeira, segundo a qual o mais urgente foi a estabilização da encosta do Castelo de Alcácer do Sal, porque existia risco de desmoronamento, indicando que a zona, depois de intervencionada pelo Exército, está agora a ser monitorizada.
A primeira ocorrência que chegou ao conhecimento da CCDR foi a derrocada de um troço do baluarte seiscentista da fortificação de Estremoz, no dia 28 de janeiro, noticiada pela Alentejo Ilustrado. Na muralha de Estremoz, classificada como Monumento Nacional, há mais cinco pontos críticos que foram assinalados pelo Património Cultural Instituto Público, cujos técnicos estiveram no local depois das intempéries.
Ainda em Estremoz, e também como noticiado pela Alentejo Ilustrado, foi registada uma nova derrocada na muralha do Castelo de Veiros, num troço situado junto ao outro que já tinha ruído em dezembro de 2022. Além disso, a Ermida de Nossa Senhora dos Mártires ficou sem algumas telhas na cobertura e a Igreja da Misericórdia de Estremoz tem infiltrações e entrada de água no seu interior, com a existência de danos nos azulejos.
Este período de tempestades também originou a derrocada de um troço da fortificação do Castelo de Elvas e, já esta semana, o desabamento parcial do paramento da muralha do Castelo de Monsaraz.
De acordo com Ana Paula Amendoeira, também desmoronou uma parte do paramento interior da nora do Núcleo Intramuros de Serpa e, em Marvão, o Convento de Nossa Senhora da Estrela perdeu telhas nas coberturas e ficou com infiltrações de água.
Na povoação de Vila Ruiva, no concelho de Cuba, a Ermida da Senhora das Represas e as igrejas Matriz e da Misericórdia também ficaram com danos nas coberturas e infiltrações, provocando danos no património integrado.
Estes estragos foram comunicados à CCDR do Alentejo pelos municípios ou entidades proprietárias, disse, vincando que o levantamento ainda não está fechado, pois, “todos os dias chegam novas ocorrências”.
“Nos próximos dias ou semanas, mesmo que o tempo estabilize, pode haver outras ocorrências” resultantes do mau tempo e “um agudizar das condições de conservação de alguns sítios que são mais frágeis”, adianta Ana Paula Amendoeira, reconhecendo que muitos dos edifícios agora afetados já tinham algumas fragilidades, devido à falta de manutenção.
Na fotografia: Mais uma derrocada na muralha do Castelo de Veiros
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Francisca Lapa/Alentejo Ilustrado












