IP “empurra” eletrificação do troço ferroviário Casa Branca-Baronia para 2029

A Infraestruturas de Portugal (IP) admite que a eletrificação do troço ferroviário entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia apenas estará concluída em 2029, no âmbito da requalificação da linha até Beja.

Ouvido na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o presidente da IP, Miguel Cruz, explicou que, em setembro de 2025, a empresa candidatou o primeiro dos três troços da requalificação desta linha ferroviária, entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia, no valor de 80,6 milhões de euros e que cumpria “o nível de maturidade estabelecido e exigido” pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.

Miguel Cruz reconheceu que, na altura, a empresa criticou a CCDR Alentejo depois deste organismo ter efetuado um corte de 60 milhões de euros de verbas comunitárias na requalificação da ferrovia Casa Branca-Beja, alegando com a falta de maturidade do projeto.

Dizendo ter-se tratado de uma decisão unilateral, uma vez que a CCDR tinha feito “uma consulta escrita e formal” face à qual a IP se pronunciou “dizendo que tal redução comprometeria a viabilidade do projeto”, Miguel Cruz garantiu que a candidatura apresentada para o troço Casa Branca – Vila Nova da Baronia iria permitir “a absorção global dos 80 milhões de euros” de verbas comunitárias inscritas no programa Alentejo 2030 para este projeto da requalificação da linha ferroviária.

Para a IP, acrescentou, o objetivo é que, quando o projeto avançar, os restantes troços “vão sendo executados em simultâneo”. Só em relação a estes outros dois é que a sua conclusão e entrada em funcionamento “não está garantida para 2029”.

O assunto chegou à Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação na sequência de um requerimento do PSD a pedir as audições do presidente da CCDR do Alentejo, do presidente executivo da IP e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, depois de conhecido o corte de 60 milhões de euros.

Na audição, o presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, argumentou que, com base em informações da IP, a obra “só estaria concluída em 2032 e isso significa que iríamos perder essa verba, ou seja, o Alentejo todo iria perder 60 milhões de euros”.

No caso do Alentejo, precisou, a reprogramação foi acompanhada e aprovada pela Agência para o Desenvolvimento e Coesão, Comité de Acompanhamento – com a IP, comunidades intermunicipais, entre outros agentes do território – e Comissão Interministerial de Coordenação do Portugal 2030, com a presença de vários ministros, e obtendo “luz verde” da Comissão Europeia.

Ceia da Silva disse ainda ser “completamente a favor” da requalificação da ferrovia Casa Branca-Beja, que inclui a eletrificação da linha, mas insistiu que “não era exequível” neste quadro comunitário de apoio, pelo que foi necessário reafetar os 60 milhões de euros a outras prioridades. Mas, apesar desta decisão, “este projeto vai ser realizado, [porque o Governo encontrou] novas fontes de financiamento. Portanto, o Alentejo não será minimamente prejudicado”, frisou.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.

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