José Alberto Fateixa: “O elevador e Moedas sem glória”

1.

A 3 de setembro fomos abalados pelo acidente do Elevador da Glória propriedade da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Defendo uma profundíssima inspeção independente sob os motivos que deram origem ao acidente e em consequência a tomada de decisões políticas e judiciais se houver razões para tal.

2.

São os grandes momentos (guerras, catástrofes, acidentes, …) que nos permitem verdadeiramente conhecer as pessoas e em especial os líderes. Carlos Moedas, foi secretário de Estado, Comissário Europeu e, no PSD, escolhido para liderar a coligação “Novos Tempos” e ser presidente da Câmara de Lisboa. No combate eleitoral, que antecedeu a eleição de 2021, perante o “Russiagate”, caso administrativo da CML, que não envolve diretamente o presidente e que não teve mortes de pessoas, pediu a demissão de Fernando Medina.

Segundo a imprensa da época, Moedas dizia que era necessário “um novo tipo de políticos que assumam responsabilidades, mesmo perante um erro técnico” que deve ter “consequências políticas”. Moedas, definiu um padrão de princípios com a exigência de fazer diferente porque “hoje em dia isso já não se vê na política”. Interessante confrontar as exigências de Carlos Moedas, candidato do PSD, com a opção de Carlos Moedas (presidente da CML; PSD-CDS). No seu íntimo, como se analisará Carlos Moedas?

Após o acidente, Carlos Moedas fez uma declaração sem perguntas à comunicação social, foi ao Presidente da República e a um Conselho de Ministros, na reunião da CML foi o vice-presidente a prestar esclarecimentos e deu uma entrevista à SIC. O essencial da entrevista de Moedas foi o insulto (evocando sicários ou assassinos ao serviço da candidata do PS que chamou de cínica e dissimulada), o extremismo populista (manipulação de sentimentos e números) e a falta de verdade (caso de Jorge Coelho e a Ponte Entre-os-Rios). Em suma, vitimizou-se, desresponsabilizou-se e desorientado expôs a sua incapacidade de liderar.

Moedas fez igualmente uma revisão do seu entendimento sobre responsabilidade política, colando-a a questões de disponibilidade orçamental para funcionamento de serviços. Será curioso questionar a fragilidade de respostas por exemplo no caso da saúde, do combate aos fogos, da morosidade da justiça, … O populismo desnorteado de Moedas levou-o agora a fugir para a ideia de que a não disponibilização de recursos passou a colocar questões de impossibilidade de exercício de funções. Moedas está a pedir demissões no governo PSD?

3.

É costume ouvir-se que o tempo amadurece e apodrece a fruta. Problemas, muitas vezes complexos, não se resolvem com soluções primárias, com ataques a supostas culpas passadas nem com promessas mágicas do salvador que tudo sabe e torna possível. Os que têm responsabilidades de exercer funções públicas devem respeitar a lei, combater a corrupção e o abuso, admitir o erro, falar a verdade e ter a coragem de decidir com princípios nos bons e maus momentos.

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