Em Castelo de Vide, numa «aula» da Universidade de Verão do PSD sobre energia nuclear, José Eduardo Martins foi um dos oradores, a par da cientista e conselheira de Estado Maria do Carmo Fonseca, que foi mandatária nacional da candidatura do atual Presidente da República, António José Seguro.
O antigo governante até representava neste debate a posição contra o nuclear, mas admitiu que a aposta neste tipo de energia será inevitável se o Governo mantiver a estratégia prevista de instalação de centros de dados.
«Os data centers estão em cima da nossa cabeça. Acho que os devemos fazer e não lhes podemos fugir. Temos um desafio: a produção de energia renovável, que considerávamos suficiente, não vai ser», alertou.
Questionado sobre declarações recentes da ministra do Ambiente, em que Maria da Graça Carvalho considerou que o investimento em energia nuclear «não faz sentido» em Portugal e que a aposta deve continuar a ser nas renováveis, José Eduardo Martins apontou uma contradição.
«Eu acho que a senhora ministra se contrariou um bocadinho pelos factos. Quem põe cá fora a estratégia dos data centers é o mesmo ministério que pôs cá fora o Plano Nacional de Energia e Clima. As duas coisas vão ter que bater certo no futuro e neste momento não batem», considerou.
Na visão de José Eduardo Martins, independentemente da declaração do Governo, «não pode haver tantos data centers sem haver a discussão do nuclear», admitindo que o executivo tem «um problema para resolver».
Questionado por um dos alunos sobre a recente decisão do Governo no capital da REN, o antigo deputado social-democrata admitiu que «queria muito evitar» o tema, acabando por deixar uma leitura indireta: «Eu acho que nós cometemos um grande erro em privatizar uma parte da REN a um Estado estrangeiro. Foi em estado de necessidade, eu sei, tínhamos cá a troika, mas não é uma coisa boa. A rede elétrica cumpre quase uma função de soberania».
José Eduardo Martins alertou ainda para a inevitabilidade da polémica sobre os centros de dados, pela quantidade de energia e água que consomem, chegar a Portugal, depois de já estar instalada noutros países.
«Ou esta discussão começa muito bem, ou deixamos de ouvir falar da Segurança Social nos termos patetas e maniqueístas que temos ouvido falar para entrarmos numa discussão verdadeiramente pateta e maniqueísta sobre este tema», disse.
Já a professora universitária Maria do Carmo Fonseca preferiu não entrar na discussão sobre os centros de dados, na qual não é especialista, e sugeriu que Portugal deve diversificar a sua aposta em termos energéticos.
«Eu não defendo de todo que Portugal vá investir em centrais nucleares, sejam elas grandes ou pequenas. O que eu defendo é que Portugal discuta o problema das energias de uma forma holística e diversificada. E que discuta sem enviesamentos ideológicos ou emotivos», apelou.
A atual conselheira de Estado admitiu que todas as apostas energéticas têm «benefícios e riscos», pelo que a diversificação diminui as possibilidades de uma escolha errada no futuro.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Universidade de Verão do PSD/D.R.










