Acompanhado pela diretora da escola, Paula Bento, pelo presidente da CCDR do Alentejo, Ricardo Pinheiro, pelo deputado eleito pelo círculo de Beja Pedro do Carmo e pelo autarca de Serpa, João Picareta, Carneiro percorreu os quatro cantos da escola.
Falou com os estudantes com quem se cruzava, ouviu cante alentejano, plantou produtos hortícolas e visitou salas de aula de Anatomia e Matemática para falar com alunos e docentes. Por fim, dirigiu-se à Biblioteca Escolar, onde foi recebido pelos delegados de turma, antes de se reunir com o presidente da CCDR do Alentejo e com a direção da escola.
Carneiro apontou o estabelecimento como «um dos bons exemplos de parceria do Estado com as autarquias», explicando que é financiado «a 30% pelo Orçamento do Estado, depois uma parte significativa com fundos europeus e depois com os produtos desenvolvidos na própria produção agroalimentar pelos alunos dos vários cursos».
Para o líder do PS, «a formação profissional estará como um “esteio” essencial da política económica para o país», até porque «não há forma diversa desta de promover o crescimento da economia». Recordou ainda que «o país está, neste momento, a desperdiçar 140 mil jovens que não encontram oportunidades de vida, estudo e trabalho no nosso país», estando assim a «desaproveitar potencial humano» e «económico».
Questionado sobre o veto por inconstitucionalidade do Presidente da República ao decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, devolvendo-o à Assembleia da República, Carneiro não quis comentar o assunto. «Aquilo que eu tenho a dizer é sobre a formação profissional. Há quem queira desvalorizar as condições de proteção do trabalho, facilitando os despedimentos, a contratação a prazo, aspetos que são para nós inaceitáveis, nomeadamente no que tem a ver com a liberalização das questões laborais», contrapôs.
Confrontado com a greve geral de 3 de junho, cujo pré-aviso foi já apresentado pela CGTP — embora o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, tenha classificado a paralisação de «extemporânea» —, Carneiro limitou-se a dizer que respeita as decisões das centrais sindicais. Em traço mais largo, disse que «há aqueles que se interessam com outras matérias para desviar as atenções daquilo que importa ao país», mas que o PS não tem «nenhum interesse em estar a distrair as [suas] atenções» com essas temáticas, tendo «a prioridade no sítio certo».
Na reunião com a direção da escola e com o presidente da CCDR do Alentejo, foram expressas as principais preocupações do estabelecimento: falta de investimento, necessidade urgente de renovar o parque automóvel, dificuldades em recrutar docentes — sobretudo nas disciplinas de Português e Inglês — e a sensação de abandono por parte do Ministério da Educação, que sistematicamente não responde aos contactos da escola.
«Temos, neste momento, uma carrinha de três lugares mais velha que velha. Tínhamos uma de nove lugares de caixa aberta que, neste momento, está parada», lamentou a diretora Paula Bento, admitindo que a escola se sente «um bocado à deriva», uma vez que envia e-mails ao Ministério da Educação «sucessivamente sem resposta».












