José Mário Gaspar: «Entre o abandono e o em estudo»

Ideias não faltam em Estremoz. O que falta, claramente, é visão e capacidade de execução. Assim, vai-se adiando, empurrando com a barriga, deixando tudo para depois.

José Mário Gaspar, gestor (texto)

Estremoz continua a debater-se com problemas antigos, agravados pela ausência de planeamento e pela estranha capacidade de transformar soluções simples em labirintos sem saída. O bairro de Santiago é hoje o exemplo mais evidente. Circular tornou-se um exercício de paciência, com ruas encerradas que poderiam perfeitamente aliviar o trânsito.

Veja-se o caso da via em frente à EPRAL ou da que se encontra junto ao Banco Montepio — ambas fechadas, sem que se perceba o benefício para a população. A desorganização não fica por aqui. Há esplanadas desativadas que continuam a ocupar espaço excessivo na via pública, como na rua 31 de Janeiro, onde dois carros têm dificuldade em cruzar-se. Ao mesmo tempo, multiplicam-se ruas cortadas por receio de derrocadas de fachadas.

A medida até pode ser prudente, mas, depois de implementada, entra no esquecimento. O problema fica «resolvido» em reuniões nas quatro paredes dos decisores, mas permanece no terreno, como acontece em várias ruas de Veiros e de Estremoz.

No Rossio, o estacionamento abusivo é uma constante. Fala-se em ordenamento, em estudos… sempre em estudo. Entretanto, quem precisa de circular ou estacionar continua sem resposta. Grave é a falta de lugares para pessoas com mobilidade reduzida junto ao edifício da Câmara Municipal. Na prática, há cidadãos que não conseguem sequer aceder a serviços públicos ou participar na vida democrática local.

Os passeios degradados são outro problema sério: buracos, desníveis, obstáculos. Para muitos idosos ou para pessoas com deficiência, caminhar em segurança tornou-se impossível, sendo frequentemente obrigados a arriscar e seguir pela estrada. Isto não é apenas desconforto — é uma questão de dignidade e segurança.

Também nas zonas de expansão comercial se sente a falta de estacionamento, travando o desenvolvimento económico. E, quando se intervém em espaços como o largo Dragões de Olivença ou o largo General Graça, o resultado pouco ou nada acrescenta: não dinamiza o comércio nem cria verdadeira vida urbana.

Atrair turistas fora dos períodos habituais é cada vez mais difícil. As unidades hoteleiras e os restaurantes sentem isso na pele, com quartos e mesas vazias e pouca circulação de visitantes.

Entretanto, projetos anunciados, como o semáforo para a rua da Frandina, continuam eternamente «em estudo». Um estudo como outros que parecem destinados às calendas gregas. E, como se não bastasse, as estradas apresentam um estado deplorável, com buracos e irregularidades que comprometem a segurança e o conforto de quem nelas circula.

Ideias não faltam em Estremoz. O que falta, claramente, é visão e capacidade de execução. Assim, vai-se adiando, empurrando com a barriga, deixando tudo para depois. E esse «depois» nunca chega. E, quando chegar, arrisca-se a já ser tarde demais para recuperar o que hoje se vai perdendo. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) já «voou».

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