O investigador Francisco Simões, coordenador científico do relatório europeu, explicou que os jovens fazem depender a sua decisão sobretudo dos transportes, do mercado de trabalho e da participação cívica, e que «era importante haver investimento de política pública nessas três áreas».
O relatório, intitulado Vieram para ficar? As transições da juventude rural antes e depois da pandemia de covid-19, analisou como jovens que vivem em regiões rurais de 14 países europeus, com idades entre os 18 e os 30 anos, fizeram a transição para a vida adulta entre 2019 e 2023.
Nos transportes, Francisco Simões exemplifica com «a possibilidade de os municípios conseguirem implementar e apoiar sistemas de partilha de viatura própria ou transportes mais ajustados à realidade, como redes de miniautocarros», referindo que países como a Irlanda começam a investir nesse tipo de soluções. Os jovens que ficam nas zonas rurais «procuram trabalho nas zonas urbanas mais próximas».
No mercado de trabalho, o estudo evidencia «um desalinhamento entre aquilo que os mercados de trabalho rurais oferecem em termos de áreas e setores prioritários, os interesses que os jovens manifestam e a oferta formativa».
«Ainda é muito comum as entidades formadoras que estão nestes territórios terem ofertas à medida do corpo docente e não dos diagnósticos feitos e das necessidades quer das empresas, quer dos jovens», lamenta o investigador, sublinhando a necessidade de ajustar a formação a oportunidades emergentes, como a economia verde e a economia circular.
O fator mais associado à vontade de permanecer é «a necessidade de manter ligação às redes informais, à família, aos vizinhos, à comunidade» — um potencial que, segundo Francisco Simões, «raramente é transformado em política pública».
Os resultados surpreenderam os investigadores: dos mais de 2.500 participantes, a maioria tem nível educativo elevado — precisamente o grupo que, historicamente, mais tendia a sair. «O relatório mostra o oposto», afirmou. A explicação avançada passa pelo «aumento exponencial dos custos de vida nas zonas urbanas, sobretudo de habitação», que torna a permanência nas zonas rurais «mais viável». A vontade de ficar não varia em função do género nem da faixa etária.
O estudo regista progressos, como o aumento da participação no ensino superior, mas alerta para «um declínio acentuado da população jovem nas zonas rurais», assim como para elevadas taxas de desemprego e baixa participação cívica.












