«Évora atraiu a atenção internacional por este conceito do Vagar, este presente que se dá à Europa de uma palavra muito singular, da língua portuguesa, que também nos deve fazer conectar com quem somos como seres humanos e com a necessidade de abrandar, de nos conectarmos com o território, de aceitar a lentidão como algo positivo e não como algo vago», afirmou a júri, Beatriz Garcia.
Segundo a especialista espanhola na área da cultura e gestão cultural, «tem sido muito interessante ver esta evolução» da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27 «e como ela se traduz agora em visibilidade, tanto na cidade como ao nível das redes digitais».
«O que Évora fez foi posicionar-se, tem uma identidade visual muito fascinante. Nesse aspeto, a equipa trabalhou muito bem na forma como utiliza as redes para gerar uma intriga, uma curiosidade por parte do resto da Europa», argumentou.
Beatriz Garcia está em Évora a participar no encontro, que ocorre quinta e na sexta-feira, que marca o 20.º aniversário da European Capitals of Culture (ECoC, sigla da organização que reúne as cidades que já foram capitais europeias da cultura).
Segundo a mesma especialista, Évora_27 é «um projeto muito ambicioso e tem elementos difíceis de traduzir», como este conceito identitário do Vagar, no qual assentou a candidatura e que é transversal às iniciativas que estão a ser programadas.
«Talvez o meu encorajamento e provocação à equipa seja como continuar a trabalhar a localidade e como responder às necessidades das pessoas. Tenho a impressão de que não há qualquer sentimento negativo, que existe muito apoio na comunidade e conversas muito valiosas com os artistas», disse.
E, em relação à Europa, o que é preciso dizer é «que vale a pena a viagem e que Évora vai ser capaz de explicar este valor da paisagem e do abrandamento como algo que é muito necessário para o futuro», argumentou, frisando que «contaminar com o Vagar faz falta e não é fácil».
«Portugal, como tantos países periféricos, é sempre esta margem da Europa, mais ligada ao Atlântico do que ao resto do continente. Por isso, fazia falta falar e dizer: ‘O que é que te faz querer atravessar um continente inteiro para vir aqui? Ou atravessar o Oceano Atlântico para chegar aqui, se a tua perspetiva for das Américas ou de outro lugar», questionou.
Nesse sentido, continuou a presidente do júri responsável pelo selo de Évora_27, «a narrativa está aí e existe um grande potencial».
«Esta é a primeira vez que visito Évora, por isso, gostei de ver a forma como o logótipo e as cores de Évora estão presentes na cidade. Iniciativas como o baloiço na praça central, com as palavras de Évora_27, penso que é um bom jogo com as pessoas», comentou.
E, além de querer que a CEC fale com a comunidade local, o país e a Europa, Beatriz Garcia indicou que outro dos desafios que espera que «a equipa utilize bem é a relação com Liepāja», a cidade na Letónia que também vai ser CEC em 2027.
O anúncio de Évora como Capital Europeia da Cultura 2027 – de entre um lote de quatro finalistas do qual também faziam parte Aveiro, Braga e Ponta Delgada – foi feito em dezembro de 2022, numa conferência de imprensa em Lisboa, no Centro Cultural de Belém (CCB).
Com o conceito do Vagar, expressão tipicamente alentejana, a candidatura foi promovida pela Comissão Executiva Évora 2027, liderada pela Câmara de Évora e constituída pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, Universidade de Évora, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Turismo do Alentejo – ERT, Fundação Eugénio de Almeida e Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, com o apoio das quatro comunidades intermunicipais do Alentejo.
A CEC é agora gerida por uma entidade criada para o efeito, a Associação Évora 2027.
Esta será a quarta vez que Portugal acolhe a iniciativa Capital Europeia da Cultura, depois de Lisboa (1994), Porto (2001) e Guimarães (2012).
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












