Em comunicado, a Comissão Política Distrital de Beja do PSD expressou a sua “profunda insatisfação e indignação com a instrumentalização que está a ser feita pelo presidente da CIM do Baixo Alentejo [António José Brito] relativamente à informação sobre o financiamento para a modernização da Linha Ferroviária Casa Branca–Beja”.
O projeto “teve uma redução de 60 milhões de euros feita pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo”, lembrou a distrital social-democrata, realçando que “a Infraestruturas de Portugal (IP) já condenou” esta “decisão unilateral”.
Para a distrital do PSD, “todo este cenário torna-se ainda mais preocupante porque, diante de um corte desta magnitude, cuja resolução foi tomada pela CCDR (a autoridade de gestão regional), a principal exigência de António José Brito foi direcionada ao Ministério das Infraestruturas”.
Mas este Ministério “nada teve a ver com esta decisão”, argumentou a estrutura social-democrata, considerando tratar-se de uma “atitude particularmente grave” do presidente da CIM: “Direciona publicamente o descontentamento para o Governo, desviando o foco do verdadeiro problema e minimizando a controvérsia gerada pela decisão da CCDR, que é liderada por outro socialista, António Ceia da Silva”.
Recorde-se que no dia 03 de dezembro, António José Brito reconheceu ter “alguma inquietação” sobre a modernização, requalificação e eletrificação da linha ferroviária Casa Branca-Beja e considerou que o projeto “não pode continuar a ser sucessivamente adiado”.
Na sequência da reunião realizada em Évora, no dia anterior, entre a CCDR – comissão diretiva do Programa Operacional Regional Alentejo 2030, a IP e a CIM do Baixo Alentejo, o autarca disse que foi confirmada a revisão da dotação financeira do projeto, que passou de cerca de 80 milhões de euros para 20 milhões. “Em suma” – referiu – “o Baixo Alentejo continua a contar pouco para quem tem a responsabilidade de nos governar”.
Em resposta ao comunicado dos sociais-democratas, António José Brito lamentou que o PSD “opte por desviar atenções do essencial, aparentemente desconhecendo o enquadramento total” das suas declarações, e disse compreender “a defesa do Governo que é feita pelo PSD”, embora considere que “não é a luta partidária” que interessa “neste e noutros pontos”.
“O que afirmei e volto a afirmar é que o Ministério das Infraestruturas (que tem a tutela da empresa Infraestruturas de Portugal – IP) terá de clarificar como vai ser resolvido este problema, nomeadamente como vai ser reposta a parte relevante que agora perdeu dotação. Partimos do pressuposto que o Ministério das Infraestruturas terá capacidade para ‘dialogar’ e ‘articular’ com o Ministério do Planeamento e Coesão, que tem a tutela das CCDR e do Alentejo 2030”, insistiu.
Entre outros argumentos, o presidente da CIMBAL aludiu ainda à importância da eletrificação da linha Casa Branca-Beja, projeto “absolutamente fundamental para a região” e que “está muito atrasado”, o que “é responsabilidade dos vários governos”, mas que “não pode continuar a ser sucessivamente adiado e marcado por incertezas”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.











