Em comunicado conjunto, Pedro do Carmo, Luís Testa e Luís Dias acusam o deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, de tentar transformar “um problema real de execução e de maturidade técnica de um investimento estruturante numa guerra de culpas destinada unicamente a ilibar o Governo e a atacar instituições regionais”.
Os deputados sustentam que o PS tem “desde o primeiro momento, uma posição simples e consequente”: a obra da linha Casa Branca–Beja é “uma prioridade estratégica para o Baixo Alentejo e para o Alentejo”, recordando que foi o anterior Governo socialista a inscrever financiamento através de fundos europeus para apoiar o projeto.
Para os parlamentares, “o que está hoje em causa não é propaganda nem pedidos de desculpa, é garantir que a obra avança, com financiamento certo, prazos verificáveis e responsabilidade claras”. Sublinhando o que foi dito nas audições parlamentares de 18 de fevereiro, defendem que as reprogramações do Alentejo 2030 “não são atos arbitrários” e dependem “em última instância, de validação do próprio Governo”.
Assim, consideram que reduzir o processo a uma “decisão unilateral” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo é “no mínimo, desconhecer os mecanismos institucionais e querer fabricar uma narrativa para desviar atenções do essencial”.
Os deputados dizem ainda que a reafetação de 60 milhões de euros resultou da necessidade de não comprometer a execução de fundos europeus, tendo em conta o horizonte de conclusão da obra apontado pela Infraestruturas de Portugal para 2032. Uma decisão diferente da CCDR, defendem, “condenaria a região a perder esse montante, um risco e um luxo que o Alentejo não se pode permitir”.
Apesar de admitirem que a reprogramação pode ser entendida como “um ato racional no âmbito da gestão de fundos europeus”, os socialistas consideram inaceitável que um projeto “reivindicado há décadas e planeado há anos” chegue a 2026 ainda condicionado por discussões sobre maturidade e calendarização, o que, afirmam, revela “um problema grave na capacidade de preparação e concretização do investimento público”.
“Não basta afirmar que o Governo vai assegurar os 60 milhões por outras vias”, sublinham, exigindo que essa assunção de responsabilidades se traduza em “garantias objetivas e verificáveis: fontes de financiamento concretas, autorizações e programação plurianual, calendário de obra e data de conclusão”.
Os deputados garantem que continuarão a usar “todos os instrumentos parlamentares” para escrutinar o processo, incluindo audições e acompanhamento na comissão competente, tendo em vista “o essencial – o avanço do investimento”.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Carlos Monteiro/D.R.












