Linha de alta velocidade Évora-Elvas parada e ainda sem certificação

A construção da Linha Évora-Elvas, orçada em 460 milhões de euros, cessou oficialmente em janeiro de 2026, mas a Infraestruturas de Portugal (IP) ainda não sabe quando a linha será inaugurada, avança o jornal Público.

De acordo com o jornal, a obra está concluída mas falta o processo de certificação, que é da responsabilidade do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Trata-se do maior projeto do Plano Ferrovia 2020, com um investimento estimado de 460 milhões de euros. Foi apresentada como um corredor de mercadorias para ligar Sines a Badajoz, mas é também o primeiro troço da linha de alta velocidade que vai ligar Lisboa a Madrid.

A sua entrada em funcionamento permite encurtar em 140 quilómetros as viagens dos pontos de Setúbal e Sines para Espanha, prolongar os Intercidades de Évora a Elvas e estrear serviços rápidos entre Lisboa e Madrid.

A infraestrutura, que inclui a maior subestação de tração elétrica do país, no Alandroal, está oficialmente concluída desde janeiro, mas dificilmente entrará ao serviço antes do final de 2027.

Contactado pelo Público, o IMT diz que «não foi instruído processo de autorização de entrada em serviço» para os subsistemas do troço Évora-Elvas, o que significa que o mesmo ainda não está do lado do instituto.

Para proceder à certificação da linha férrea, a IP tem de recorrer a entidades privadas que atestem a interoperabilidade da infraestrutura, que nela possam circular vários tipos de comboios, e a sua segurança. Isso implica analisar componentes como o carril, as travessas, a sinalização, e também todo o sistema, para se ver se está assegurada a interoperabilidade. É necessário um relatório de uma entidade que faça a análise de risco.

Os próximos testes vão exigir a passagem de um comboio de ensaio espanhol pela linha, motivo pelo qual a IP tem vindo a falar com a sua congénere espanhola Adif e com a operadora ferroviária espanhola Renfe a fim de alugar uma composição de alta velocidade.

Ao contrário de Espanha, lembra o Público, em Portugal não existe um organismo autónomo dedicado exclusivamente à segurança ferroviária, estando essas funções no IMT, cujos 850 funcionários têm menos de 20 dedicados à matéria.

2 Responses

  1. É o país que temos, é uma grande tristeza para o nosso querido Alentejo ,e falam os falsos políticos no interior do país

  2. Um comentário mais moderado, depois de tanta injustiça para o povo alentejano não é possível, boa tarde

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