
Há lideranças novas ou renovadas no ensino superior no Alentejo. A Universidade de Évora tem um novo reitor, António Candeias, que chegou com uma agenda clara: menos burocracia, mais investigação. O Instituto Politécnico de Beja tem um novo presidente. Herdeiro de uma instituição que andava à deriva, Aldo Passarinho propõe-se ancorá-la ao território e projetá-la para o mundo. Depois de ter colocado o Politécnico de Portalegre num trajeto consistente de crescimento, Luís Loures está no início do seu segundo mandato.
Três casas, três lideranças, três momentos distintos de um mesmo ciclo. A questão que se impõe é a seguinte: quando é que estas três instituições se sentam à mesma mesa com um propósito comum?
Não se trata de fusão. Não se trata de hierarquias. Trata-se de algo simultaneamente mais simples e mais ambicioso: cooperação estratégica. O Alentejo é uma região de baixa densidade, com um interior que se esvazia, com municípios que perdem população há décadas e com um tecido económico que, apesar de sinais promissores em setores como as energias renováveis, a agroindústria, o turismo e a aeronáutica, continua a não conseguir reter os jovens que as próprias instituições de ensino superior formam. Há aqui uma contradição que dói: o Alentejo produz capital humano qualificado que depois «exporta» para o litoral ou para o estrangeiro.
Este ciclo de definhamento — não exclusivamente demográfico — não se resolve com boas intenções. Resolve-se com estratégia. Sem investigação aplicada ao território, sem ciência que responda aos desafios concretos da região, sem formação superior que dialogue com as necessidades reais das empresas e das comunidades, não haverá forma de inverter a tendência. O ensino superior é uma infraestrutura crítica de desenvolvimento. Deve ser tratado como tal.
É neste contexto que a ideia de uma agenda conjunta entre a Universidade de Évora, os Institutos Politécnicos de Beja e de Portalegre deve deixar de ser um exercício retórico para se tornar uma necessidade funcional. Não é preciso inventar estruturas complexas. Basta começar pelo essencial: identificar as áreas de complementaridade científica e formativa, evitar a duplicação de esforços, construir programas doutorais e de investigação partilhados, criar plataformas de transferência de conhecimento que cheguem efetivamente às empresas e às autarquias.
Mas o ensino superior sozinho não chega. A fixação de jovens formados e a atração de outros para o interior dependem também — e decisivamente — da existência de emprego qualificado, de um tecido empresarial dinâmico e de condições de vida que justifiquem a escolha de ficar ou de vir. E é aqui que o Alentejo revela mais uma fragilidade estrutural: a fragmentação da sua representação empresarial. Lisboa ouve quem tem peso. E o peso constrói-se com unidade.
Vale por isso a pena defender a ideia de uma confederação empresarial do Alentejo. Não uma estrutura burocrática adicional, mas uma plataforma de coordenação que reúna os principais atores do tecido económico regional. Uma voz única, ou pelo menos articulada, com capacidade reivindicativa real junto do Governo, do parlamento e das estruturas europeias.
A ligação entre esta confederação e as instituições de ensino superior seria, ela própria, um dos pilares do modelo. As universidades e os politécnicos precisam das empresas para garantir estágios, para orientar a investigação aplicada, para criar saídas profissionais que justifiquem a permanência dos jovens na região. As empresas precisam das instituições de ensino superior para aceder a conhecimento, para qualificar os seus recursos humanos, para inovar. A equação é conhecida. O que falta é a arquitetura institucional que a torne operacional no Alentejo.










