«Numa altura em que o problema da habitação é crítico em todo o país, mas que atinge proporções ainda maiores no concelho de Grândola face a toda a pressão que temos, não nos podemos dar ao luxo de ter 10 casas fechadas», argumentou o autarca.
Construídas com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as moradias, com tipologias T1, T2 e T3, foram visitadas, na quarta-feira, pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que quis demonstrar que tinha dito a verdade quando afirmou que o Governo tinha casas prontas a habitar e que não as entregava.
O presidente do Município Grândola, que acompanhou essa visita do líder socialista juntamente com deputados e outros autarcas, reiterou hoje que aquelas habitações «estão prontas desde outubro de 2024», ou seja, «há mais de ano e meio».
«É certo que, numa primeira fase, tinham um objetivo que veio a ser reformulado e, agora, estão ao abrigo do [programa] 1.º Direito, mas, agora mais do que nunca, urge colocar estas casas à disposição de quem mais precisa delas», afirmou.
O autarca diz que o caso «ainda é pior», referindo que a junta de freguesia, dona da obra, «ainda tem cerca de 280 mil euros a haver» do PRR relativos a este projeto, tendo «pouca capacidade financeira e sem capacidade de endividamento».
«O Município ajuda e tem ajudado e, este ano, reforçou as transferências» para as juntas de freguesia, mas «o que é facto é que está ali muito dinheiro e, essencialmente, estão casas fechadas», acrescentou o autarca, sublinhando que as obras de um outro projeto financiado pelo PRR, igualmente nesta freguesia e promovido pela Fundação Padre Américo, estiveram paradas durante seis meses, porque «o empreiteiro chegou a ter um milhão de euros para receber».
Perante este impasse com as 10 casas, Luís Vital Alexandre realçou que a autarquia a que preside «não consegue fazer muito mais do que tentar fazer contactos e encontrar sinergias para que esta situação se resolva rapidamente».
«Foram feitas várias reuniões com a Segurança Social e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e nunca se conseguiu chegar a acordo», disse, assumindo que, agora, «mais importante do que apontar culpas, é encontrar soluções».
A Câmara de Grândola está também a construir seis casas em Azinheira dos Barros com financiamento do PRR e prevê-se o lançamento de «mais concursos para a construção de habitação pública» no concelho.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.










