É na A6 que se concentra a maior fatia. Entre 1 de abril e 30 de junho, esta autoestrada registou 28.135 clientes, dos quais 25.724 particulares e 2.411 empresariais, aos quais correspondem 40.752 identificadores atribuídos. Na A2, os clientes são 17.078 — 15.674 particulares e 1.404 empresariais —, com 23.719 identificadores. No total, são 45.213 beneficiários.
Também no tráfego a isenção pesa sobretudo na A6: no segundo trimestre deste ano, o tráfego médio diário isento nesta autoestrada foi de 1.330 veículos, contra 640 na A2, mais do dobro. O troço entre Évora Nascente e Estremoz, com 29,8 quilómetros, é de longe o mais procurado, com 336 veículos isentos por dia, o valor mais alto dos 14 sublanços abrangidos. Seguem-se, já na A2, o troço entre o nó da A2/A6 e Alcácer do Sal, com 245, e, de novo na A6, o percurso entre Vendas Novas e Montemor-o-Novo Poente, com 243.
Estes valores correspondem ao tráfego médio diário — ou seja, ao número de veículos que, em média, passa por dia em cada troço — e foram estimados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) a partir dos dados de transações fornecidos pela Brisa, concessionária das duas autoestradas.
O tráfego global também subiu. Na A6, o tráfego médio diário do segundo trimestre passou de 6.754 veículos em 2024 e 7.199 em 2025 para 8.049 este ano. Na A2, o crescimento praticamente parou: 18.537 veículos, contra 18.430 no ano passado.
É a nascente de Évora que se regista a subida mais expressiva. No troço até Estremoz, o tráfego cresceu 21,7% face ao mesmo período de 2025, de 5.448 para 6.629 veículos por dia. Ainda assim, os isentos continuam a ser uma fração pequena do total: nesse mesmo troço entre Évora e Estremoz, representam cerca de 5% do tráfego diário.
Quanto ao dinheiro que o Estado paga à concessionária em consequência da medida, uma das perguntas efetuadas ao Ministério das Infraestruturas pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS), o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz não avança qualquer montante, indicando tratar-se de «matéria que será analisada no âmbito do processo de renegociação da concessão Brisa, atualmente em curso».
O regime foi criado pelo artigo 203.º da Lei n.º 73-A/2025, de 30 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para 2026, numa iniciativa do PS que obteve os votos favoráveis de todos os partidos da oposição, à exceção do PAN, que se absteve, tendo os votos contra das bancadas do PSD e do CDS-PP. Está em vigor desde 1 de abril. A implementação, refere o Ministério, está a ser acompanhada através do IMT, «tendo em vista a monitorização e a avaliação dos seus efeitos ao nível da utilização da rede rodoviária, da mobilidade e dos impactos económicos e financeiros associados».
A resposta aproveita ainda para marcar posição contra isenções pontuais. É entendimento do Governo, lê-se, que «a tomada de decisões isoladas quanto aos sublanços a portajar ou a deixar de portajar, ou quanto aos cidadãos ou regiões a beneficiar de isenção, em detrimento de outros, constitui um exercício de elevado risco para a integridade e racionalidade do sistema». E acrescenta que «tal abordagem poderá fomentar a criação de situações potencialmente injustas face a outras, eventualmente mais relevantes, pelo menos na perspetiva dos utilizadores afetados».
Por isso, prossegue, o Governo «prevê o lançamento de um estudo aprofundado sobre os modelos de financiamento, com o objetivo de enquadrar uma alteração global do regime de portagens praticado em Portugal».
A pergunta foi entregue em julho pelos deputados socialistas, que classificam a isenção como uma medida «de relevante impacto para a mobilidade, a coesão territorial e a competitividade económica do Alentejo». Pediam igualmente indicadores sobre a redução dos tempos de viagem e dos custos de contexto para empresas e famílias, bem como o calendário de uma avaliação formal da política pública; o Ministério remete essas matérias para o acompanhamento que diz estar em curso.










