“Por todo o país” – é a Direção-Geral das Artes (DGArtes) quem o sublinha – “persistem práticas artesanais que manifestam a identidade heterogénea do território, constituindo-se como uma autêntica rede viva do saber fazer”. Conhecimento concreto que resiste em pequenas unidades de produção, com atividades apoiadas e desenvolvidas através de programas e equipamentos públicos e privados “que importa identificar e conectar em rede”.
Em 2020 foi criado o Programa Nacional Saber Fazer Portugal, dedicado às artes e ofícios tradicionais. Agora foi lançada uma rede apostada na “ativação de relações de proximidade entre todos os agentes que atuam direta ou indiretamente no sector das artes e ofícios, no sentido de caracterizar, informar e agir eficazmente dentro do que são as atribuições de cada um”.
No âmbito do programa foram criadas diversas rotas, com propostas de percursos temáticos, “sem pontos de partida ou de chegada, através dos quais cada um constrói a sua viagem pelas artes e ofícios artesanais”. A das bilhas para a água, por exemplo, leva-nos à Olaria Regional de Nisa ou ao Xico Tarefa, em Redondo. Já a de cobertores de lã não esquece a Cooperativa Integral Minga, em Montemor-o-Novo.
A rota das talhas, por exemplo, propõe uma viagem pelos locais em que as grandes talhas de vinho ou azeite são as protagonistas centrais. A descrição desta rota diz tudo: “A par de uma grande tradição de olaria utilitária, desenvolveram-se as olarias com mestres oleiros especializados em talhas, com exigências técnicas específicas. Após um período de decréscimo da procura destas peças na segunda metade do século XX, assistiu-se recentemente a um ressurgimento da valorização das talhas de barro e das suas qualidades específicas, associado ao crescimento do interesse por vinhos de produção mais artesanal e de escala controlada”.
Os interessados, esses, são convidados a conhecer espaços como a Casa Museu Interativa de Borba, instalada no piso térreo de uma casa do séc. XIX, que detém uma adega de vinho com 46 talhas de barro originais, a Olaria Poço Velho (em Redondo) ou a de António Mestre, em Beringel (Beja).
Recentemente, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, congratulou-se com o avanço do projeto da Rede Portuguesa Saber Fazer, lembrando que “muitas das práticas” ligadas às artes e ofícios tradicionais em Portugal “estão em risco de desaparecer”, ainda que se tratem de “práticas que expressam a identidade plural e heterogénea do território”.
Segundo Américo Rodrigues, trata-se de “um passo muito importante na valorização e no futuro das artes e ofícios tradicionais em Portugal, um património vivo que transporta séculos de conhecimento, técnica e identidades”. Ainda assim, alerta, “muitas destas práticas estão em risco de desaparecer”, pelo que é “urgente criar condições para garantir a sua continuidade, promovendo a transmissão de conhecimentos, a inovação responsável e o reconhecimento social e económico dos artesãos”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.











