As duas peças cruzam memória histórica e reflexão crítica e integram um conjunto de apresentações em várias cidades portuguesas. Em Odemira, serão apresentadas no dia 19 de abril, no Cineteatro Camacho Costa.
Inspirado no filme “The Girl Chewing Gum”, de John Smith, “25 de Abril de 1974” recria o dispositivo original a partir de imagens da Revolução dos Cravos, «como se os acontecimentos históricos fossem a encenação de um diretor que dirige cada gesto e cada movimento», descreve a companhia.
Ao «sobrepor uma voz de comando a imagens de arquivo», a criação «evidencia os mecanismos de construção ficcional e de manipulação da realidade, propondo uma revisitação crítica à narrativa fundadora da democracia portuguesa».
“Cantar de Galo”, por seu lado, parte do imaginário popular do Galo de Barcelos, construindo uma «sátira sobre identidade e propaganda». Na peça, o galo ganha voz, revisita a sua lenda e confronta o ditador António de Oliveira Salazar, representado em deepfake.
«Poderemos ver o galo mais kitsch questionar os mecanismos de construção de uma narrativa nacionalista», adianta a companhia sobre o texto de Robert Schenkkan, vencedor dos Prémios Pulitzer e Tony, numa obra que cruza humor, política e reflexão histórica.
A peça “25 de Abril de 1974” tem texto, direção e interpretação de Jorge Andrade, com consultoria do jornalista Joaquim Furtado. A edição vídeo é de João Gambino, a banda sonora de Sérgio Delgado e o cenário e figurino de José Capela.
“Cantar de Galo” conta com interpretação de Jorge Andrade e assistência de Pedro Moldão. O texto é de Robert Schenkkan, com tradução de Joana Frazão. O cenário e figurino são de José Capela e a sonoplastia de Sérgio Delgado.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












