«VAIVÉM» parte de uma viagem de comboio — «entendida como dispositivo artístico, conceptual e relacional», segundo a companhia — para propor uma reflexão sobre os movimentos migratórios, «explorando as tensões entre partida e chegada, deslocação e permanência, recusa e acolhimento, com foco na interseção e pluralidade de línguas e culturas».
O projeto foi desenvolvido a partir de uma viagem por meios de transporte terrestres entre Évora, Bruxelas e Paris, com a participação de emigrantes portugueses e comunidades imigrantes.
Através de «momentos de observação, escuta, escrita, registo fotográfico e audiovisual, entrevistas, leituras e dispositivos performativos», construiu-se um corpo de materiais documentais e poéticos integrados na performance e na instalação site-specific no Jardim Tardoz do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida.
Nas palavras da companhia, na peça «a migração surge como uma experiência feita de deslocações físicas e íntimas: malas, estações, fronteiras, línguas desconhecidas, comida que falta, casas que se deixam e casas ainda vazias, à espera de serem vividas».
A performance-instalação «constrói um percurso fragmentado entre diário de viagem, testemunho e reflexão poética, interrogando o que significa deixar um lugar, chegar a outro e tentar construir casa entre línguas, memórias, afetos e fronteiras».
A língua, a comida, os documentos e as estações surgem como elementos centrais de uma narrativa que aproxima as migrações humanas das migrações dos animais, dos rios e da própria história da espécie. «Antes das fronteiras, dos passaportes e das categorias de emigrante ou imigrante, já existia o movimento», afirma a Malvada, concluindo com a ideia que atravessa toda a obra: «Somos todos e desde sempre migrantes».



A criação é de Ana Luena e José Miguel Soares, com música de Zé Peps, texto de André Tecedeiro e interpretação de Chissangue Afonso e Inês Minor. Além das sessões abertas ao público nos dias 28 e 29, realizam-se também sessões especialmente dirigidas a escolas e instituições, sujeitas a marcação prévia.
A instalação permanece visitável no Jardim Tardoz do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida até 12 de julho.












