Manuel Norte Santo, nova liderança para a promoção do azeite do Alentejo

Saiu de Estremoz para estudar na faculdade, em Lisboa, onde ainda trabalhou, mas com a «perspetiva» de regressar ao Alentejo quando chegasse o momento de constituir família. E assim foi. Manuel Norte Santo, diretor comercial da Sociedade Industrial e Comercial de Azeites (SICA), regressou a casa em 2021. É o novo presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo.

Júlia Serrão (texto)

Nasceu e cresceu em Estremoz, com o privilégio de poder brincar na rua e fazer longos percursos a pé com os amigos, como só o interior permite às crianças — ou, pelo menos, às da geração de Manuel Norte Santo, 35 anos, que aproveitou plenamente essa vantagem. Foi uma criança livre e muito sociável, relacionando-se bem com os seus pares e também com adultos de todas as origens e condições.

As melhores memórias que guarda são dos «tempos passados no ringue de futebol do Bairro da Mata», com os amigos, a jogar à bola, «durante dias consecutivos nas férias de verão, porque foram os mais felizes». Teve sempre atividades em modalidades desportivas na cidade, jogou futebol no Clube de Futebol Estremoz, pelo que teve «uma infância e adolescência muito ativas».

Da Escola da Mata à Sebastião da Gama e depois à Rainha Santa Isabel, o seu forte foram sempre os números. «A Matemática, mas também a Física e a Química eram as disciplinas que me despertavam mais interesse e em que tinha melhores notas. Tudo o que era relacionado com a área de letras era mais difícil, especialmente o Português».

Quando o ingresso na faculdade se colocou, hesitou entre Engenharia Civil e Gestão e Economia. O impasse resolveu-se por si mesmo, no contexto socioeconómico da altura. «Espoletou a crise imobiliária e o curso de Engenharia Civil deixou de ser seguro. Acabei por me decidir por Gestão, que é mais abrangente, e isso acabou por me abrir portas», explica.

Aos 18 anos mudou-se para Lisboa para estudar. Fez uma licenciatura em Gestão no Instituto Universitário de Lisboa (Iscte) e um mestrado em Finanças no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Ainda ficou alguns anos na cidade, a trabalhar em auditoria financeira, antes de se juntar ao negócio familiar, construído pelo avô, a Sociedade Industrial e Comercial de Azeites (SICA), com sede em Estremoz, empresa que mantém também um escritório em Lisboa. «Estive lá três anos a trabalhar na parte da exportação de azeite e comercialização». É diretor comercial desde 2016.

Sempre teve «noção de que podia vir» a trabalhar na empresa de produção de azeite, já na terceira geração da família. «Em determinado momento, houve necessidade de contratar mais uma pessoa para o departamento comercial, que estivesse à vontade com os mercados externos e com a língua inglesa, e eu tinha essas valências».

Talvez por ter essa ideia muito presente, enquanto estudava foi fazendo cursos curtos de provas de azeite, especialmente no Instituto Superior de Agronomia (ISA), que lhe despertavam cada vez mais interesse pelo produto e também paixão. Anos mais tarde, aprofundaria esta vertente com um curso de especialização em provas de azeite virgem na Universidade de Jaén, em Espanha.

Continua à frente do departamento comercial da SICA, agora na sede, onde a empresa tem também um olival, um lagar e onde faz o embalamento do produto — contando ainda com um olival e lagar em Serpa. Tratando-se de «uma empresa familiar», é «um bocadinho polivalente», à semelhança do restante agregado, no caso, os primos. «Acabamos por dar muito suporte a toda a operação, logo também à parte agrícola e de produção». O negócio vem do avô, natural da região de Coimbra, que adquiriu a empresa no Alentejo e aqui se estabeleceu.

À liderança da empresa, Manuel Norte Santo junta agora a presidência do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), associação composta por vários produtores e que visa valorizar e promover o azeite do Alentejo no mercado nacional e internacional.

O presidente do CEPAAL avalia o estado atual do setor olivícola e oleícola, referindo que tem estado em «constante» transformação. «Tem existido uma revolução completa nos métodos de produção e de cultivo da oliveira e, portanto, estamos em fase de crescimento».

O Alentejo já é responsável por 80 a 90 por cento da produção de azeite a nível nacional, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). «O investimento que surgiu na zona do Alqueva, com a barragem, permitiu que houvesse muita água disponível para plantar os chamados olivais de cultura mais intensiva», explica.

Um dos objetivos deste mandato é a criação da Indicação Geográfica Protegida (IGP) Azeite do Alentejo, que permita afirmar uma marca «mais forte», também nos mercados externos. Entre os compromissos, destaca ainda um dos projetos previstos para 2026, o Alentejo Olival Experience, dedicado à promoção do olivoturismo na região.

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